Reportagens

 

 

 

Imundícies e palafitas degradam manguezais

O despejo de esgoto, de lixo doméstico e os assentamentos indiscriminados de palafitas sobre a região de mangues continuam sendo as principais ameaças à sobrevivência dos mangues da Baixada Santista. Pelos dados mais recentes da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb), Santos tem cerca de 43% de manguezais degradados pela construção de favelas, o equivalente a 22 quilômetros quadrados de um total de 51 quilômetros quadrados originais.

Os efluentes dessas moradias, por não terem rede coletora de esgoto, são canalizados pelo rio, comprometendo a qualidade do alimento consumido pelos animais que sobrevivem do mangue. Um dos lugares mais críticos que retratam essa situação é o Dique da Vila Gilda, na Zona Noroeste de Santos, onde mais de 3 mil barracos se aglomeram em um espaço que antes pertencia ao mangue.

O local é servido pelo rio do Bugre, que divide os municípios de Santos e São Vicente. A última contagem populacional feita pela prefeitura de Santos, em 93, estimou em cerca de 15 mil habitantes na área de Santos e 6.500 na área de São Vicente.

Fonte: A Tribuna de Santos - 12/ago/97

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Contas de água chegam com reajuste de até 700%

 

Mais de 400 pessoas foram hoje ao Distrito Regional Vila Mariana da Companhia de

Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para reclamar do aumento nas contas de água. O último aumento, autorizado no dia 28 de janeiro, foi de 45% e está sendo cobrado nas contas com vencimento em março. Nas contas de fevereiro já havia sido aplicado um aumento de 19,39%, autorizado no dia 12 de janeiro.

Mas há contas com reajustes de mais de 700%.

Na subsede da Sabesp em Moema, zona sul da cidade, as pessoas esperavam até nove horas para ser atendidas. Elas preenchiam um formulário com a reclamação e recebiam a promessa de que a Sabesp ia estudar o caso.

O aposentado João Batista Alves, de 63 anos, que mora na Vila Joaniza, zona sul, chegou às 8 horas e até as 15h30 não tinha sido atendido. Ele disse que não tem como pagar a conta.. "Ganho uma miséria de salário mínimo e não tenho condições de pagar os Cr$ 17 mil que a empresa cobrou". Alves pagou no mês passado Cr$ 7 mil, o que dá um aumento de 142% no preço cobrado. Adauto Gomes dos Santos, de 23 anos, que também mora na Vila Joaniza, estava indignado. "Paguei Cr$ 5,600,00 em fevereiro e agora veio essa bagatela de Cr$ 46 mil", ironizou sobre os 721% de aumento. Para ele, duas pessoas - ele e a mulher - nunca gastariam tanta água assim. O pintor Joel Santana, que mora no Bosque da Saúde, também na zona sul, tentava reclamar pela terceira vez. Ele mostrou sua conta de água do mês passado, de Cr$ 3 mil, e a desse mês, de Cr$ 12.140,00 - 304% de aumento. "Onde é que foi parar o congelamento do governo?", perguntou.

A cozinheiro Marta Delfina Viana, que mora no Jabaquara, prefere que a Sabesp corte a água de sua casa a pagar os Cr$ 9.500,00 cobrados. O aumento na conta dela foi de 375%.

Para o comerciante Domênico Mileo, de 58 anos, que mora no bairro da Vila

Mariana, a Sabesp deve ter errado no cálculo. "Como minha última conta de água pode sofrer uma variação de Cr$ 2 mil para Cr$ 11 mil? Não vou pagar."

A variação significa 450%. A mesma disposição tinha a professora primária Neusa Borges, que mora no bairro do Aeroporto, e disse que não vai pagar os Cr$ 40.494,00 cobrados. Ela pagou no mês passado Cr$ 5 mil.

Márcio Riscala, assessor de imprensa da Sabesp, disse que a empresa vai estudar todos os casos das pessoas descontentes

Estado de São Paulo 12/03/01

Evaldo Magalhães

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Sabesp interdita Biquinha em São Vicente

 

A tradicional Biquinha de Anchieta, um dos principais pontos turísticos do município de São Vicente, foi interditada hoje. A água consumida pela população local e pelos turistas está contaminada por coliformes fecais, de acordo com denúncia do escritório regional da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Por isso, a Vigilância Sanitária do Serviço de Saúde de São Vicente (Sesasv) interditou ontem as três torneiras, além de solicitar análise das águas ao Instituto Adolfo Lutz.

Segundo informou o coordenador da Vigilância Sanitária do Sesasv, Arnaldo José Ballarini, a interdição foi determinada pelo decreto 12.342/78, que estabelece o Código Sanitário para proteção da saúde pública. A Sabesp apurou que as duas caixas que recebem água da nascente do morro dos Barbosas apresentam contaminação. A água coletada nas torneiras da histórica Biquinha apresenta 26 coliformes fecais por 100 mililitros de água, índice considerado bastante elevado e que pode provocar doenças como diarréia e até hepatite.

Durante o ato de interdição, os técnicos da Vigilância Sanitária tiveram muito trabalho para tentar convencer as pessoas que freqüentam a Biquinha do risco de se contaminarem com o consumo daquela água. De acordo com a Sabesp, o sistema de cloração das duas caixas, conhecido como gota a gota, não está funcionando de maneira adequada, pois a manutenção do equipamento não é feita há mais de um ano. Alguns aposentados, que moram nos edifícios localizados na praça 22 de Janeiro, junto à Biquinha, não se conformavam com a interdição, alegando que consomem a água há anos e nunca apresentaram nenhuma doença.

Os proprietários das tradicionais barraquinhas de doces, outra atração do local, também protestaram contra a medida. "Não podemos fechar os olhos para um problema tão sério quanto este e, para tranqüilizar a população, estamos solicitando novas análises da água e providências imediatas no sentido de sanar as falhas do sistema de cloração", afirmou o responsável pela Vigilância Sanitária, Arnaldo Ballarini.

11/03/01 Estadão

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Cosmópolis amplia rede de esgoto para 90% da população

Até o final do ano, o percentual de famílias beneficiadas com rede de esgoto em Cosmópolis -cidade de 45 mil habitantes- vai subir de 60% para 90%, sem que isso implique em aumento de poluição das águas dos rios e córregos. Apesar de um emissário ter sido construído há seis meses, os esgotos só serão ligados após a conclusão das obras de uma nova estação de tratamento. "A população vai esperar mais um pouco, mas garantiremos a preservação de nossos mananciais e dos municípios da região", afirma o prefeito José Pivatto (PT), lembrando que Cosmópolis está na bacia do Rio Piracicaba.

"É certo que no momento estou perdendo politicamente, mas precisamos pensar no futuro", diz Pivatto, falando da falta de saneamento básico nos onze bairros -ou 17 mil pessoas- por onde passa o interceptor de esgoto ainda desativado. Na periferia da cidade é grande o número de fossas próximas a poços de água. O resultado é o risco sempre presente de contaminação dos lençóis freáticos e da água consumida pela população.

A Prefeitura está investindo Cr$ 30 milhões para a construção da rede de esgoto e Cr$ 100 milhões para a estação de tratamento. O cronograma do Departamento de Água e Esgoto (DAE) prevê a coincidência entre a conclusão das duas obras. "Não queremos lançar sequer um quilo de material orgânico não tratado no Ribeirão Três Barras - afluente do Rio Jaguari, que faz parte da Bacia do Piracicaba", diz o diretor do DAE, Mauro Pereira.

Com a nova estação, será possível tratar pelo menos 80% dos seis milhões de litros de esgoto produzidos diariamente no município. A cidade conta com uma antiga estação de tratamento, que tem capacidade para tratar apenas 20% do esgoto doméstico, beneficiando somente a área central. Numa primeira etapa, a estação projetada vai atender 17 mil habitantes, número que aumentará para 20 mil até novembro.

Além da metodologia convencional, a estação vai contar com um sistema que permite maior depuração do esgoto. No reator anaeróbico, canaletas serpenteadas vão aumentar a duração do processo de degradação da matéria orgânica. Após essa fase, o material ainda será submetido a filtragem em equipamento com a técnica da pedra britada, retornando para dentro do reator antes de ser lançado nas águas do ribeirão. O diretor do DAE afirma que este sistema torna possível tratar em até 80% o esgoto.

11/03/01 Estadão

Flavio Cordeiro

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Fé nas águas de março

Segunda-feira chegou ao Palácio do Planalto um resumo sobre a oferta de energia nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste. As informações são de que, se não chover até o fim deste mês, será preciso iniciar uma campanha que, primeiro, falará em "administração" da energia. Na prática, significa economizar eletricidade para evitar o racionamento compulsório. Um especialista na área, que já presenciou racionamento de energia na Região Norte, diz que para reduzir o consumo de energia é preciso uma "campanha monumental". Para ter uma idéia da dimensão do problema, o volume útil de água está em torno de 33%, quando no mesmo período do ano passado era de 46%. Os especialistas avaliam, porém, que ainda inexiste motivo forte para alarme antecipado.

08/03/01 Estadão

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Cantareira, com menos de 40% do nível, é o que mais preocupa

Situação do manancial é crítica, diz presidente da Associação dos Engenheiros da Sabesp

 

Com 37,9% da sua capacidade de armazenamento, nível registrado ontem, o Sistema Cantareira é o que mais preocupa os especialistas ouvidos pelo Estado. Principal manancial da Grande São Paulo, o Cantareira é responsável pelo abastecimento de 11 milhões de pessoas.
O presidente da Associação dos Engenheiros da Sabesp, Cid Barbosa Lima Júnior, disse que o manancial está "no nível crítico". "Se não chover nos próximos dias vai haver racionamento", afirmou, referindo-se à área servida pelo Sistema Cantareira.
Para o diretor do Sintaema João Pedro Apolinário, o risco de racionamento é "iminente" não só na região abastecida pelo Cantareira, mas em toda a Grande São Paulo.
Na análise de Sônia Maria de Lima, diretora de Meio Ambiente da Secretaria Municipal de Habitação e Meio Ambiente de São Bernardo do Campo, "o risco de racionamento sempre existe". No caso do Cantareira, Sônia Maria disse que esse risco é "matemático" - há um ano, o manancial tinha 65% de sua capacidade de armazenamento.
Para a Sabesp, o nível dos mananciais hoje não é base para afirmar se vai haver racionamento. "O mais importante a ser analisado é o quanto de água se pode tirar da represa sem que ela se esvazie", disse anteontem o gerente de Imprensa da empresa, Sérgio Lapastina. Essa análise técnica será feita em abril. É quando a Sabesp deve decidir se haverá racionamento. (C.A.)

08/03/01 Estadão

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Caminho para Sabesp é reduzir vazamentos

Empresa perde 17% da água que distribui por causa de problemas na rede

CARLOS ARAÚJO

A solução para evitar o colapso no abastecimento de água na Grande São Paulo é investir em planejamento e obras, programas de recuperação de perdas na rede de distribuição e em projetos que incentivem o uso racional por parte da população.
A recomendação é de especialistas na área de recursos hídricos como o presidente da Associação dos Engenheiros da Sabesp, Cid Barbosa Lima Júnior, o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente (Sintaema) do Estado, João Pedro Apolinário, e a diretora de Meio Ambiente da Secretaria Municipal de Habitação e Meio Ambiente de São Bernardo do Campo, Sonia Maria de Lima.
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informa que já tem em andamento os Programas de Racionalização do Uso da Água e de Recuperação de Perdas. A empresa trabalha com uma estimativa de perda de 17% da produção de água, por conta de vazamentos e defeitos na rede de distribuição.
Lima Júnior lembra que a Sabesp investiu R$ 500 milhões de 1996 a 1998 no Programa Metropolitano de Água (plano de obras para dinamizar o desempenho do sistema). Para ele, isso melhorou a situação. "O problema é que não tem água para abastecer tantas pessoas", justificou.
Apolinário, que é membro do Conselho Estadual de Recursos Hídricos, prega a necessidade de planejamento e mais obras, que permitam mais capacidade de reservação de água. Hoje, a Sabesp opera no limite, porque os 63 metros cúbicos por segundo, produzidos na Grande São Paulo, são totalmente consumidos.
Apolinário acrescenta que o problema vai além da área de atuação da Sabesp, porque envolve a ocupação irregular do solo e desmatamento em áreas de mananciais.

08/03/01 Estadão

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Usina desperdiça água apesar da escassez de energia

São Paulo - A usina hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, vê hoje parte de seu potencial de geração de eletricidade correr literalmente rio abaixo. A usina está sendo obrigada a verter água por já estar operando em sua capacidade máxima de geração, de 4.245 megawatts (MW).

Ao mesmo tempo, membros da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) participarão em Brasília, na próxima segunda-feira, de reunião para discutir o índice de água em praticamente todas as bacias hidrográficas que abastecem as usinas do País, em razão do baixo índice pluviométrico verificado este ano.

Nem Eletronorte, administradora da usina, e tampouco o ONS querem falar sobre o "desperdício" dos 9 mil metros cúbicos por segundo de água que correm diariamente pelo vertedouro da usina. Inaugurada em novembro de 1984, a hidrelétrica localizada no trecho inferior do Rio Tocantins vive nesta época do ano o período de cheia de suas represas. A impossibilidade de ampliar o aproveitamento hídrico é clara demonstração da falta de política de investimentos do setor elétrico no Brasil durante as décadas de 80 e 90.

Por falta de obras de ampliação e descasamento de prazos de investimento entre parque gerador e linhas de transmissão, a usina só pode contribuir com 1.000 MW de energia para as regiões Sudeste e Centro-Oeste, principais pólos consumidores do País. Para resolver o problema e aproveitar plenamente o potencial hídrico da região, a Eletronorte está expandindo a geração de Tucuruí e, em 2006, a capacidade instalada será de 8.370 MW.

Para expandir a área de transmissão, a Aneel criou um programa de construção e exploração dos sistemas nos próximos anos por grupos privados. No mês passado, por exemplo, um consórcio formado pelos Grupos Alusa e Schahin ganhou duas concessões em leilão realizado pela Aneel no Rio de Janeiro. Uma delas é a interligação Tucuruí-Vila do Conde, no Pará, com extensão de 323 km e investimentos estimados em R$ 155 milhões. A linha deverá ficar pronta em 14 meses. A outra é a linha Tucuruí-Presidente Dutra, no Maranhão, com 920 km de extensão, onde R$ 623 milhões deverão ser investidos para concluí-la em 22 meses.

Além da expansão de Tucuruí e das novas linhas de transmissão, o governo federal cuida também do início das obras da usina de Belo Monte, também no Pará, para ampliar a geração de energia elétrica na região Norte. O início das obras será em junho e a usina de 11 mil MW deverá entrar em operação em 2009.

O investimento para construir Belo Monte é de US$ 3,9 bilhões e a Agência Nacional de Energia Elétrica deverá abrir, em breve, licitação para que grupos privados participem do empreendimento. O objetivo do governo federal é que 30% da usina fique nas mãos da Eletronorte, enquanto os 70% poderão ser explorados pelos grupos privados.

Jander Ramon

07/03/01 Estadão

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Perdas de água em São Paulo atingem 17%

 

São Paulo - A solução para evitar o colapso no abastecimento de água na Grande São Paulo é investir em planejamento e obras, programas de recuperação de perdas na rede de distribuição e em projetos que incentivem o uso racional por parte da população.

A recomendação é de especialistas na área de recursos hídricos, como o presidente da Associação dos Engenheiros da Sabesp, Cid Barbosa Lima Júnior, o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente (Sintaema) do Estado, João Pedro Apolinário, e a diretora de Meio Ambiente da Secretaria Municipal de Habitação e Meio Ambiente de São Bernardo do Campo, Sonia Maria de Lima.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informa que já tem em andamento os Programas de Racionalização do Uso da Água e de Recuperação de Perdas.

A empresa trabalha com uma estimativa de perda de 17% da produção de água, por conta de vazamentos e defeitos na rede de distribuição.

Lima Júnior afirma que a Sabesp investiu R$ 500 milhões de 1996 a 1998 no Programa Metropolitano de Água (plano de obras para dinamizar o desempenho do sistema). Para ele, isso melhorou a situação. "O problema é que não há água para abastecer tantas pessoas", justificou.

Apolinário, que é membro do Conselho Estadual de Recursos Hídricos, prega a necessidade de planejamento e mais obras, que permitam mais capacidade de reservação de água. Hoje, a Sabesp opera no limite, porque os 63 metros cúbicos por segundo, produzidos na Grande São Paulo, são totalmente consumidos.

Apolinário acrescenta que o problema vai além da área de atuação da Sabesp, porque envolve a ocupação irregular do solo e desmatamento em áreas de mananciais.

Carlos Araújo

07/03/01 Estadão

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 Rodízio de água pode recomeçar

Os níveis das represas que abastecem a Grande São Paulo estão muito baixos. Estudo para decidir racionamento fica pronto no próximo mês

Em abril, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) deve decidir se adota o racionamento de água para a população da Grande São Paulo. Seria uma forma de evitar o esvaziamento das represas. A empresa aguarda apenas um estudo técnico para se decidir.
Esse risco existe porque hoje o nível de armazenamento de cinco dos seis principais sistemas de abastecimento da Grande São Paulo é menor do que em março de 2000, ano em que 3,5 milhões de pessoas abastecidas pelas Represas de Guarapiranga e do Alto Cotia foram atingidas pelo racionamento de água.
Tudo isso porque tem chovido menos nas represas do que há um ano.
Nível preocupante Segundo o gerente de Imprensa da Sabesp, Sérgio Lapastina, o nível dos mananciais "preocupa". "Só não haveria risco se as represas tivessem 100% (de nível). O mais importante a ser analisado é quanto de água dá para tirar da represa sem que ela esvazie."
Caso seja adotado o rodízio, disse ele, é o estudo técnico que vai fixar a forma de aplicação. Uma das hipóteses é que a medida seja adotada em toda a cidade de São Paulo, o que seria um racionamento maior em extensão do que o de 2000.
A análise técnica será feita em abril porque o período das chuvas vai de setembro a março. No estudo, será considerado o nível de cada reservatório, quanto de água se pode retirar e como é possível atender à demanda evitando o risco de esvaziar o manancial.
Ontem, o Sistema Cantareira estava com o nível de 38,0%, ante 65,6% registrado em 6 de março de 2000; Guarapiranga tinha 54,5%, menos do que os 59,9% de um ano atrás; Alto Cotia com 28,7%, quando teve 40,2% em 2000.
Cantareira e Guarapiranga abastecem, juntas, 14,5 milhões de habitantes na Grande São Paulo, de um total de 18 milhões que recebem água dos seis sistemas.
O volume de chuvas em janeiro e fevereiro deste ano nas represas, em comparação com igual período do ano passado, também é menor e, na avaliação da Sabesp, é o que explica a queda do nível.
Em fevereiro, em todas os seis mananciais foi registrado menor volume de chuvas do que há um ano. Também choveu menos do que a média histórica do mês. Em janeiro, a situação repetiu-se, com exceção de Guarapiranga na comparação mês a mês.

Carlos Araújo/AE

 

07/03/01 Estadão

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Águas de março

CRESCIMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO TAMBÉM DEPENDERÁ DE SÃO PEDRO

OTAVIANO CANUTO

 

Entre as barreiras contra a elevação da taxa de crescimento econômico no Brasil, alguns analistas estão incluindo a disponibilidade de energia elétrica nos próximos anos. Mesmo no caso de investimentos menores no setor, como o das miniusinas, há um inevitável intervalo de tempo entre o momento em que as decisões de investir são tomadas e o início de sua operação. O problema, segundo alguns, é que os investimentos que deverão começar a operar, neste e nos próximos dois anos, não garantiriam acomodar a demanda adicional por energia que adviria de um crescimento econômico acima do atual.
Historicamente, a economia brasileira vem apresentando aumentos no consumo de energia acima do crescimento do PIB. Embora haja fatores a apontar na direção de que essa exuberância da demanda por energia tende a arrefecer, boa parte das projeções vem trabalhando com a hipótese de que o consumo de energia ainda suba em ritmo pelo menos 1% acima da taxa de expansão do PIB.
Um dos fatores do arrefecimento é a proximidade da universalização do acesso à energia elétrica para as residências brasileiras, hoje alcançando cerca de 95% dos domicílios. Deste modo, no que tange ao consumo residencial, tende a estabelecer-se um aumento vegetativo, acompanhando a ampliação no número de domicílios, sem demanda reprimida a ser atendida.
Na mesma direção, a modernização do parque industrial instalado nos anos 90 vem implicando maior eficiência no uso de energia. Contudo, ninguém arrisca projetar que, no conjunto, seja revertida inteiramente a tendência de a demanda por energia superar a expansão do PIB.
No lado da oferta, o Ministério das Minas e Energia anunciou a expectativa de incrementos anuais de 5,5%, a partir dos investimentos programados.
Portanto, dados os atuais patamares elevados de uso da capacidade disponível, a expansão da oferta de energia estaria em choque com um crescimento acima de 4,5% no PIB.
Chegamos a tal situação em decorrência da queda dos investimentos na década passada. A soma de investimentos públicos e privados, no setor, não ultrapassou US$ 10 bilhões anuais em nenhum momento dos anos 90, enquanto, na década perdida dos 80, não chegou a cair abaixo desse patamar. Ao contrário do que ocorreu, por exemplo, nas telecomunicações, a transição do regime de Estado produtor para regulador não se completou, muito menos se desdobrou em investimentos privados na intensidade necessária.
Mais de 82% do potencial instalado de produção de energia elétrica no Brasil vem atualmente das grandes usinas hidrelétricas, com as termelétricas cobrindo pouco mais de 13%, enquanto a energia nuclear e as pequenas hidrelétricas respondem por, respectivamente, 2,7% e 2%. A aposta do governo, para os próximos anos, concentrou-se nas termelétricas a gás, a ser supridas pela Bolívia e pela Petrobrás, cujas unidades de geração exigem tempo de construção muito menor que as hidrelétricas. Além de constituírem uma resposta mais rápida aos riscos de escassez, vale destacar a possibilidade de manejo das termelétricas como fonte reguladora do abastecimento, com sua operação flexibilizando a oferta diante de flutuações da demanda. Até que, no futuro, novas grandes hidrelétricas possam ser erigidas.
O problema é que, segundo dados citados pela revista República, na edição de fevereiro, das 49 usinas cujos investimentos estavam previstos, apenas 14 ou 15 estariam efetivamente se materializando no futuro próximo. Com forte envolvimento da Petrobrás, garantindo o abastecimento de gás e aquisição de parte da energia produzida.
Contribuiu para a defasagem de investimentos a demora no equacionamento da questão dos riscos de descasamento entre, de um lado, os custos em dólar do gás e do financiamento de equipamentos importados e, de outro, as tarifas de energia em reais. Depois de longa discussão sobre a indexação de preços locais de energia, a solução - ainda em discussão - parece encaminhar-se para algum tipo de seguro contra variações cambiais. O fato é que a ausência de tais garantias prejudicou a amplitude do financiamento bancário dos projetos no setor, apesar da política governamental de elevação dos preços da energia acima da inflação.
O governo conta com tais investimentos em termelétricas para a projeção de incremento na capacidade instalada, a partir de 2002. De qualquer modo, como vimos, caso a expansão do consumo de energia continue superando a do PIB, os aumentos possíveis de capacidade, no curto prazo, estariam aquém do adequado para acompanhar taxas de crescimento do PIB acima das atuais.
Para 2001 tudo vai depender de as chuvas contribuírem para a recuperação dos reservatórios das hidrelétricas brasileiras. Como disse Tom Jobim, as promessas de vida "são as águas de março, fechando o verão".

06/03/01 Estadão

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Enchentes: Pompéia quer solução urgente

Moradores e comerciantes da região mais afetada pelas chuvas vai se reunir hoje com o administrador da Lapa para cobrar providências

Os moradores e comerciantes da região das Avenidas Matarazzo, Pompéia e Antártica vão se reunir hoje com o administrador regional da Lapa para pedir providências para o problema de enchentes.
As chuvas que atingiram a região no sábado de Carnaval e na última sexta-feira provocaram alagamentos e a morte da aposentada Nair da Silva Carmo Teixeira, de 92 anos.
O gerente da Churrascaria 200, Alberto Oliveski, disse que pode entrar com ação contra a Prefeitura por causa dos prejuízos, que no caso do restaurante chegou a R$ 160 mil pelos dois dias de chuvas. "Perdemos dois computadores, três aparelhos de ar-condicionado, um freezer e uma geladeira, além de 700 cadeiras que ainda estão molhadas e dos cerca de 150 clientes que tiveram de sair sem pagar por causa da água que invadiu o local."
Mary Bernardes, síndica do Edifício Pompéia Nobre, onde 11 carros tiveram perda total após o rompimento da comporta da garagem, afirmou que o dano moral é o principal prejuízo dos moradores. "Não há nada que pague ver o nosso patrimônio se deteriorando e perdendo seu valor." Os moradores responsabilizam a Prefeitura por faltaa de limpeza nos bueiros e galerias.
O administrador regional da Lapa, Adauto Durigan, 48 anos, disse que está fazendo o que é possível na região. No sábado houve um mutirão na Avenida Sumaré para limpeza e retirada de entulho. Foram registrados só em um dia de chuva 60 pedidos para retirada de galhos de árvores caídos. Moradores das Ruas Avaí e Miranda Azevedo também vão se reunir com o administrador hoje para pedir soluções para uma galeria que está provocando alagamentos.
O diagnóstico para resolver a enchente deve demorar seis meses para ser concluído.
Mapeamento das galerias A Secretaria Municipal de Obras e Vias Públicas vai pedir à Administração Regional da Lapa dados para fazer o mapeamento completo das galerias que passam pela região.
Em toda a cidade de São Paulo são 1.550 km de córregos, sendo 500 km canalizados em galerias. Essas galerias, que desembocam principalmente nos Rios Tietê e Pinheiros, foram construídas há mais de 30 anos e costumam transbordar rapidamente quando chove forte por causa de entulhos e sujeira que obstruem a passagem da água.
Na Avenida Antártica com a Rua Turiassu passa uma galeira de 2,20 m de largura por 1,90 de altura que segue sentido Rio Tietê. As demais galerias da região são de cerca de 1,25 m por 1,28 m, o que dificulta a passagem da água da chuva.
Além de as galerias serem insuficientes, outro problema apontado pela secretaria é o aumento da impermeabilização do solo. Nos últimos 13 anos a cidade perdeu 30% de sua área verde, segundo a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente. Isso faz com que a água escoe pelas ruas, provocando os alagamentos.
Segundo o engenheiro Celso Bolognini, do Departamento de Projetos da Prefeitura, a solução seria reter essa água em piscinões ou em reservatórios menores em áreas públicas, como praças e parques. Essa água ficaria armazenada para escoar devagar, o que evitaria que as galerias transbordassem. "Mas ainda não há previsão de obras. Estamos apenas em fase de estudos", afirmou o engenheiro.

06/03/01 Estadão

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 Chuva causa transtornos em Guarulhos

Aeroporto de Cumbica ficou fechado por alguns minutos e carros não conseguiam passar na Dutra, onde um rio transbordou. Na capital, choveu mais na zona leste

A chuva que atingiu a região de Guarulhos ontem à tarde deixou motoristas ilhados e inundou várias casas.
No Jardim Cumbica, a maioria das casas ficou tomada pela água. Os bairros mais atingidos foram os próximos do Aeroporto Internacional de São Paulo, que ficou fechado para pousos e decolagens por alguns minutos por causa do temporal.
Os automóveis que circulavam nos bairros de Cidade Satélite Cumbica, Parque São Luís, Vila Paraíso,Jardim Maria Dirce, Jardim Cumbica, Vila Aeroporto e Avenida João Jamil Jarif, foram atingidos. Motoristas tiveram de abandonar seus carros, pois a água atingiu quase 1 metro.
Favela alagada Órgãos da Prefeitura de Guarulhos e Corpo de Bombeiros forom mobilizados para tentar controlar a situação durante a tarde e início da noite de ontem.
De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, houve inundação em uma escola municipal e uma favela, também em Guarulhos.
Segundo a prefeitura da cidade, há dois meses está sendo excecutado um plano emergencial de prevenção de enchentes, principalmente nas regiões atingidas hoje.
"Infelizmente, apesar do plano emergencial de limpeza de córregos realizado em várias partes da cidade, a chuva foi maior do que a possibilidade de evasão das águas. Não tivemos tempo de fazer uma ação a longo prazo necessária para evitar esta situação", disse o prefeito Elói Pietá (PT).
Até a Rodovia Presidente Dutra, no sentido Rio-São Paulo, foi atingida pela água por causa do transbordamento de um rio, na altura km 212, na região de Guarulhos. Os carros não conseguiam transitar e o congestionamento na pista marginal chegou a atingir 8,5 quilômetros.
No Bairro do Jardim Cumbica, muitos moradores ficaram presos dentro das casas. Os Bombeiros resgataram as pessoas com um barco. Alguns saíam pelo telhado.
ABC e capital A região do ABC também registrou inundações, principalmente em São Caetano. Várias ruas ficaram intransitáveis por causa dos alagamentos e muitos carros ficaram inundados.
Na capital, a zona leste ficou por cerca de uma hora em estado de atenção.
Mas não foram registrados pontos de alagamnento.
Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE), a forte chuva que começou na zona leste, logo deslocou-se para o ABC Paulista.
 

 

06/03/01 Estadão

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Falta de chuva pode causar escassez de energia

No subsistema Centro-Oeste, por exemplo, o nível de água está em 37%

RENÉE PEREIRA

A falta de chuvas em determinadas áreas das regiões Sudeste e Centro-Oeste fez acender o sinal amarelo em relação à possibilidade de escassez de energia nas duas maiores cidades do País, São Paulo e Rio de Janeiro. Os principais reservatórios dessas regiões trabalham com capacidade bem abaixo do normal. No subsistema Sudeste, por exemplo, onde o problema é mais crítico, o nível de água está em 33,4% e no Centro-Oeste, em 37,71%, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). No mesmo período do ano passado, a energia armazenada no Sudeste era de 45%, explica o diretor titular de Infra-estrutura da Fiesp, Pio Gavazzi.
Para conseguir sustentar a demanda de energia no período de seca, que começa em maio e vai até outubro, os reservatórios teriam de armazenar até o fim de abril 50% de energia potencial (água). Para isso, é necessário chover, pelo menos, 90% do índice histórico para março e abril - 159,8 milímetros e 75,8 milímetro, respectivamente.
O problema está em Minas Gerais e Goiás, regiões onde estão localizados os maiores reservatórios do País, que abastecem principalmente a região Sudeste e Centro-Oeste. Nessas áreas, o índice de chuva ficou bem abaixo do esperado. A situação só não é pior porque as chuvas de dezembro conseguiram elevar um pouco os níveis dos reservatórios. Mas os meses de janeiro e fevereiro decepcionaram os técnicos, que agora mostram-se preocupados com o risco da falta de energia. "Estamos consumindo toda água que entra", comenta Gavazzi.
Transferência - Enquanto isso, a energia armazenada nos reservatórios da região Sul chega a quase 100%. Atualmente, segundo técnico do ONS, para manter o fornecimento adequado de energia no Sudeste estão sendo transferidos diariamente cerca de 1 mil megawatt (MW) gerados nas regiões Norte e Sul, o que equivale à energia produzida pela usina Angra II.
Esta quantidade de energia poderia ser maior, explica o técnico, com a ativação do terceiro circuito da hidrelétrica de Itaipu e com a construção de mais linhas transmissão. Por enquanto, a capacidade dessas bacias ainda é pequena para solucionar o problema.
Segundo Gavazzi, a situação é crítica, mas é preciso aguardar os próximos dias para ter um diagnóstico preciso sobre os riscos de escassez de energia.
O secretário do Ministério de Minas e Energia, Xisto Vieira Filho, considera prematuro falar em racionamento de energia em função da falta de chuva, uma vez que a estação das chuvas ainda não terminou. "A situação dos reservatórios não é boa, mas ainda é cedo para pensar em racionamento."
Segundo ele, o problema não é a quantidade, mas o local das chuvas.
Na avaliação de Gavazzi, a situação atual é decorrente da falta de investimento no setor nos últimos anos. Há três anos, por exemplo, os reservatórios eram suficientes para mais de um ano de consumo. Para ter idéia, explica, em 1997, os reservatórios terminaram o período de seca com aproximadamente 66% de energia armazenada. No ano passado, esse número ficou em 18%. "Em três anos, conseguimos gastar toda nossa energia potencial."
Segundo ele, com a falta de chuva, o País não vai conseguir elevar os níveis dos reservatórios como em épocas anteriores. A única solução será apressar o projeto das térmicas a gás. O temor é que os problemas políticos dos últimos dias, que derrubou Rodolpho Tourinho do Ministério de Minas e Energia, interrompa os projetos em andamento. Além disso, ainda não foi definido o nome de dois substitutos de diretores da Aneel. (Colaborou Gerusa Marques/AE)

03/03/01 Estadão

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Chuva de março é a maior em 19 anos

 

São Paulo parou hoje, pela nona vez este ano, em conseqüência da chuva. Das 18h30 de ontem até a 1 hora de hoje, o 7o. Distrito de Meteorologia registrou em Santana, zona norte da cidade, 83 mm de chuva, a metade da quantidade estimada para todo o mês de março. Foi o maior índice registrado num mês de março em 19 anos. A chuva atingiu todas as regiões e não poupou as áreas nobres, onde estão aparecendo pontos de alagamento. Uma pessoa morreu soterrada e uma criança está desaparecida na zonal sul.

Os rios Pinheiros e Tietê transbordaram. É a segunda vez este ano que o Tietê transborda, apesar das obras de aprofundamento de seu leito. Isso causou grandes congestionamentos nas marginais. Na Marginal Tietê, pela manhã, formaram-se filas de até dez quilômetros, nos dois sentidos, a partir da Ponte das Bandeiras. Todos os ônibus chegavam ou partiam com grande atraso do Terminal Rodoviário do Tietê. Só no início da tarde a situação começou a se normalizar.

Segundo dados coletados pela Rede Telemétrica do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), no bairro da Penha, zona leste, foram registrados 70 mm e na Mooca, também na mesma área, 123 mm de chuva. "Em março, normalmente, chove em média de 8 mm a 10 mm durante 24 horas", comparou o meteorologista Carlos Magno, da Climatempo. A chuva foi provocada pela frente fria estacionada no litoral paulista, associada à áreas de instabilidade, que vêm do Norte e Nordeste do País.

Na favela do Piqueri, a 200 metros da Ponte da Freguesia do Ó, um desabamento matou o motorista de ônibus Alberto da Costa Bela. Na favela do Jardim Klein, na zona sul, uma criança está desaparecida. Foram registrados outros 12 desabamentos em vários pontos da cidade. Durante a madrugada, os bombeiros atenderam a 101 pedidos de socorro e resgataram 61 pessoas.

O pátio do Mercado de Frutas Estacionário-A (MFEA), da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp), na zona oeste, ficou inundado ontem por causa do transbordamento do Rio Pinheiros.

Segundo levantamento divulgado pelo diretor de Operações de Entrepostos, Antonio Celso Barbosa Lopes, houve perda de 173 toneladas de melancia, 8 de jaca, 23 de abacaxi e 13 de coco verde. "Isso representa 3% do que é vendido diariamente", disse Lopes. O prejuízo foi de Cr$ 14 milhões. A Ceagesp movimenta 10 mil toneladas de produtos por dia. Hoje pela manhã, além da lama acumulada no patio, vários comerciantes estavam preocupados. "Vai ser difícil recuperar o prejuízo", disse o proprietário da Comercial Agrícola Tropical, João Cardoso. Ele perdeu aproximadamente Cr$ 4 milhões em mercadorias.

O Córrego Ipiranga, localizado na Avenia Ricardo Jafet, Ipiranga, zona sul da cidade, voltou a tansbordar e inundou várias casas na região. "Para a enxurrada não levar a geladeira, eu e minha filha ficamos com água até o pescoço", disse Terezinha de Jesus Prudente, moradora do número 273 da Ricardo Jafet.

Várias casas desabaram na zona norte da cidade. Na Rua Alfredo Mário Pizzoti, na Vila Guilherme, as famílias precisaram usar barcos para sair de suas casas. O barraco da diarista Vilma Maria de Souza, na Avenida Júlio Buono, foi destruído pelas águas do Córrego Paciência. "A água subiu quase dois metros", disse Vilma, que teve de tirar seus cinco filhos pela janela. Ela responsabilizou a Prefeitura pela sujeira no córrego. "Há dez anos que moro aqui e o problema se repete".

O sobrado de Ivonete Soares Derato, na Vila Maria, também foi parcialmente destruído pela chuva. O muro que faz divisa com o Córrego Mandaqui caiu e a água invadiu a casa, que ficou quase submersa. Nesta tarde, a Administração Regional de Santana interditou cinco casas na região. "Mas não temos para onde ir", reclamou Ivonete.

Na Escola Estadual Lourenço Filho, na Vila Guilherme, a diretora-assistente Marisa Coghetto Andózia foi obrigada a suspender as aulas. A escola ficou parcialmente destelhada. Nas salas de aula, a água atingiu cerca de dez centímetros. "Para dar aula só se for com guarda-chuva", comentou Marisa, que não conseguiu verbas da Secretaria da Educação para resolver o problema. "Só temos condições de usar algumas salas que não têm goteiras".

As gravações dos telejornais do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) tiveram de ser suspensas hoje por causa da inundação dos estúdios da Vila Guilherme. Segundo Leon Abravanel Júnior, diretor-administrativo de produção do SBT, a chuva estragou todo o piso e móveis da emissora. O TJ Brasil teve que ser gravado nos estúdios de Brasília. "Mas ainda bem que a parte técnica, que fica no 2o. andar, não foi atingida", observou Abravanel. Ele contratou uma empresa para retirar o excesso de água dos corredores da emissora

05/03/01 Estadão

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Chuvas podem levar a estado de atenção em Santos

Até o final da tarde de hoje, o Grupo Executivo dos Morros não descartava a possibilidade de ser decretado estado de atenção em Santos, devido às fortes chuvas que vêm castigando a região. Choveu muito nos últimos três dias e as encostas dos morros já se mostram saturadas, com riscos de deslizamentos. "Se as chuvas persistirem, entraremos na faixa de perigo", prevê a geóloga Cassandra Nunes, presidente do grupo.

As chuvas das últimas 72 horas apresentaram um índice de 134,6 milímetros de precipitação, fato que começa a preocupar os técnicos. Por enquanto, só foram registrados alagamentos e enchentes, que provocaram muitos transtornos ao tráfego, especialmente na entrada da cidade, na noite de ontem. Houve um deslizamento de terra no morro do Saboó, atingindo o quintal de uma casa. Os moradores foram aconselhados a deixar o local, já que havia risco do material de uma construção clandestina atingir a residência. Um muro de pedra também desabou no morro do Pacheco, e uma grande quantidade de lixo desceu do morrro de São Bento.

Hoje à noite, somente Ônibus e caminhões podiam transpor a avenida Martins Fontes, na entrada da cidade, onde as águas atingiram quase um metro de altura. O bairro do Gonzaga teve pontos de alagamento. A prefeita Telma de Souza (PT) atribuiu as enchentes aos fortes ventos que atingiram a região na quinta-feira. "Nada menos que 97 árvores foram derrubadas e uma quantidade assustadora de folhas acabou entupindo os bueiros, provocando os transtornos que já eram esperados", disse.

Segundo revelou a prefeita, a secretaria de Planejamento elaborou um mapeamento subterrâneo da cidade, com o objetivo de corrigir as eventuais falhas de drenagem. Só para elaboração de projetos de drenagem da zona noroeste, a secretária de Planejamento, Lenimar Rios, calcula que sejam necessários US$ 4 milhões, verba que só seria possível adquirir por meio de financiamentos internacionais. Para resolver os problemas na entrada da cidade seria necessária a construção de um canal, projeto que consumirá Cr$ 700 milhões. Esta verba já está sendo reivindicada à Caixa Econômica Federal, através do projeto Produrb.

05/03/01 eStadão

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Chuvas podem levar a estado de atenção em Santos

Até o final da tarde de hoje, o Grupo Executivo dos Morros não descartava a possibilidade de ser decretado estado de atenção em Santos, devido às fortes chuvas que vêm castigando a região. Choveu muito nos últimos três dias e as encostas dos morros já se mostram saturadas, com riscos de deslizamentos. "Se as chuvas persistirem, entraremos na faixa de perigo", prevê a geóloga Cassandra Nunes, presidente do grupo.

As chuvas das últimas 72 horas apresentaram um índice de 134,6 milímetros de precipitação, fato que começa a preocupar os técnicos. Por enquanto, só foram registrados alagamentos e enchentes, que provocaram muitos transtornos ao tráfego, especialmente na entrada da cidade, na noite de ontem. Houve um deslizamento de terra no morro do Saboó, atingindo o quintal de uma casa. Os moradores foram aconselhados a deixar o local, já que havia risco do material de uma construção clandestina atingir a residência. Um muro de pedra também desabou no morro do Pacheco, e uma grande quantidade de lixo desceu do morrro de São Bento.

Hoje à noite, somente Ônibus e caminhões podiam transpor a avenida Martins Fontes, na entrada da cidade, onde as águas atingiram quase um metro de altura. O bairro do Gonzaga teve pontos de alagamento. A prefeita Telma de Souza (PT) atribuiu as enchentes aos fortes ventos que atingiram a região na quinta-feira. "Nada menos que 97 árvores foram derrubadas e uma quantidade assustadora de folhas acabou entupindo os bueiros, provocando os transtornos que já eram esperados", disse.

Segundo revelou a prefeita, a secretaria de Planejamento elaborou um mapeamento subterrâneo da cidade, com o objetivo de corrigir as eventuais falhas de drenagem. Só para elaboração de projetos de drenagem da zona noroeste, a secretária de Planejamento, Lenimar Rios, calcula que sejam necessários US$ 4 milhões, verba que só seria possível adquirir por meio de financiamentos internacionais. Para resolver os problemas na entrada da cidade seria necessária a construção de um canal, projeto que consumirá Cr$ 700 milhões. Esta verba já está sendo reivindicada à Caixa Econômica Federal, através do projeto Produrb.

05/03/01 ESTADÃO

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Chuva alaga e causa falta de energia em SP

São Paulo - A chuva forte nesta tarde na capital paulista está alagando ruas e deixando vários bairros sem energia elétrica. Os bombeiros receberam mais de 500 chamados por causa da chuva. O córrego Pirajussara transbordou, alagando várias ruas na região do Campo Belo, zona sul da cidade. O túnel do Anhangabau foi interditado no sentido Santana-Aeroporto. A Eletropaulo registrou queda de energia em pontos isolados nos municípios de Taboão da Serra, Itapecerica da Serra e no bairro de Tamboré, em Barueri, na Grande São Paulo.

As regiões central, norte e Marginal do Tietê continuam em estado de alerta devido a possibilidade de inundação. Já as regiões sul, oeste e Marginal Pinheiros ainda estão em estado de atenção devido a possibilidade de alagamento.

Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE), há pontos de alagamento transitável na pista local da Marginal Pinheiros, na altura da Escola Politécnica, sentido Castelo Branco-Interlagos e a mil metros antes da Pontes Jaguaré. Segundo Paulo Vianna, supervisor da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a chuva forte também resultou em alagamentos na avenida Matarazzo com a avenida Pompéia e em pontos da avenida Antártica.

Na Avenida do Estado e na Cruzeiro do Sul ainda chove granizo e há pontos de alagamento por toda a extensão das avenidas o de Sul, no sentido marginal, veículos A situação também está complicada na Avenida Radial Leste e Avenida Rebouças, em função das chuvas fortes.

Ellen Fernandes e René Santini

02/03/01 ESTADÃO

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Sabesp busca causa do vazamento no Guarujá

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) espera reunir ainda hoje as informações necessárias para estabelecer as causas do vazamento no emissário submarino de esgoto do Guarujá, que rompeu-se 2,5 quilômetros mar adentro nas proximidades da Ilha das Cabras.

Embora ainda desconheçam as causas do acidente e a quantidade de esgoto vazado, tanto a Sabesp como a Cetesb afastam qualquer possibilidade de contaminação das águas na Praia da Enseada. Diretores das duas empresas alegam que o rompimento do emissário ocorreu em alto mar, onde a carga de poluentes tende a se dispersar e não refluir para as praias. "Na zona em que ocorreu o rompimento, os detritos se diluem facilmente", afirmou o gerente regional da Cetesb, Luizmar Seabra Pereira. "Além do mais, por sorte, o emissário não está trabalhando com sobrecarga".

O engenheiro Sergio Rizzo, da Sabesp, que acompanhou a retirada e remoção do tubo de politileno, acredita que ele "deve ter sofrido um impacto muito forte para romper tal como se rompeu". Rizzo afastou também a possibilidade de contaminação das praias, afirmando que, como Guarujá tem mar aberto, os detritos se dispersarão em alto mar.

Idêntica opinião foi manifestada pelo gerente regional da Cetesb, Luizmar Seabra Pereira. Foi ele quem designou os técnicos que fizeram a coleta de água na Praia da Enseada para análise laboratorial. Os resultados finais serão divulgados na próxima semana. Hoje mesmo, porém, ele terá em mãos os resultados preliminares que indicarão se houve ou não contaminação da praia por coliformes fecais.

"Particularmente - afirmou - não acredito na possibilidade de contaminação da Praia da Enseada, já que o emissário rompeu-se em mar alto, onde a carga de poluentes tende a dispersar-se e não a refluir para as praias. Além do mais, ele está trabalhando atualmente com um quarto de sua capacidade, isto é, sem sobrecarga". Cauteloso, o gerente da Cetesb concluiu dizendo: "Como bactéria náo é visível a olho nú, vamos esperar os resultados da análise. Eles é que vão dizer, com segurança, se houve ou não contaminação e, em caso positivo, se ela é recente ou não".

23/02/01 ESTADÃO

Waldo Claro/Zuleide de Barros

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3,5 milhões vão ficar sem água hoje em SP

Sabesp vai realizar manutenção e obras corretivas no Sistema Guarapiranga

CARLOS ARAÚJO

Das 4 às 22 horas de hoje, ficarão sem abastecimento 3,5 milhões de moradores das regiões que recebem água da Represa de Guarapiranga. Serão atingidos bairros das zonas sul e oeste de São Paulo e dos municípios de Embu e Taboão da Serra, além da Granja Viana, em Cotia.
A Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) informou que o corte é necessário porque serão realizadas obras para melhoria no abastecimento e serviços de manutenção preventiva e corretiva nas instalações do Sistema Guarapiranga. Espera-se que 95% de toda a região afetada pelo corte terá o abastecimento normalizado até amanhã. Os 5% restantes correspondem a bairros distantes dos reservatórios e, por isso, podem ter regularização até sábado.
De acordo com a Sabesp, durante o corte no abastecimento serão executados mais de 70 serviços no Sistema Guarapiranga. Entre esses, está a interligação de uma nova unidade de bombeamento, o que permitirá reforço no abastecimento para os moradores de Capão Redondo e Capela do Socorro.
A Sabesp pede aos moradores das regiões afetadas pelo corte que economizem a água armazenada nas caixas-d'água, evitando desperdícios. Os casos de emergência serão atendidos pelo telefone 195, que funciona 24 horas com ligações gratuitas.
São 15 reservatórios afetados pelo corte no abastecimento nas zonas sul e oeste de São Paulo, cada um correspondendo a um bairro. Serão afetadas áreas em Americanópolis, Vila Mascote, Chácara Flora, Morumbi, Capão Redondo, Butantã, Vila Olímpia, Interlagos e Jabaquara, entre outras.

22/02/01 ESTADÃO

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Petrobrás é multada em R$ 150 milhões

Valor foi estipulado pelo Ibama por causa de vazamento de óleo no Paraná. Empresa é reincidente, decidiram órgãos ambientais

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) anunciaram ontem que a Petrobrás será multada em R$ 150 milhões. A multa é pelo vazamento de cerca de 50 mil litros de óleo diesel, sexta-feira, na região da Serra do Mar, no município de Morretes. Os órgãos ambientais levaram em conta que a empresa é reincidente.
Pela Lei 9.605, de crimes ambientais, a multa máxima prevista é de R$ 50 milhões. No entanto, está previsto que ela poderá ser triplicada no caso de reincidência. Em junho de 2000, 4 milhões de litros de óleo vazaram da Refinaria Presidente Vargas (Repar), em Araucária, atingindo os Rios Barigui e Iguaçu.
"Estou desolado com o que vi, porque se trata de um desastre ambiental igual ou talvez até maior que aquele que tivemos no Rio Iguaçu", disse o governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL).
Reserva da biosfera "Trata-se de um trecho contínuo de Mata Atlântica mais bem preservada do País, aquele trecho que a própria Unesco definiu como reserva da biosfera."
Lerner sobrevoou a região e disse que podia ser visto óleo no mangue. A mancha de óleo atingiu cerca de 15 quilômetros, entre o local do acidente e a Baía de Antonina. Nos rios, havia peixes mortos.
O diretor de Dutos e Terminais da Transpetro, empresa subsidiária da Petrobrás, Wong Loon, repetiu ontem que o volume vazado foi subestimado inicialmente, quando a empresa referiu-se a 1,2 mil litros. Ele afirmou que o duto, que fica a cerca de 3 metros de profundidade, rompeu-se por tração, provocada aparentemente por movimentação do solo.
O duto, construído há 26 anos para fazer a ligação entre o Porto de Paranaguá e a Repar, continuará interditado pelo IAP até que a Agência Nacional de Petróleo apresente um laudo garantindo a segurança. A Transpetro prevê que a limpeza superficial esteja encerrada no fim de semana.
O governo pediu abertura de inquérito na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente. Entidades ambientalistas denunciam que a empresa sabia desde o início que tinham vazado bem mais que os 1,2 mil litros divulgados.

Evandro Fadel/AE

 

20/02/01 ESTADÃO

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Mancha de óleo no Paraná chega a 12 quilômetros

JULIO CESAR LIMA

Especial para o Estado
CURITIBA - O vazamento de óleo da Petrobrás que atingiu a cidade de Morretes, em área de proteção ambiental na Serra do Mar e reserva da biosfera, chega a 48 mil litros. Esse número foi admitido ontem pela empresa, que divulgara inicialmente o número de 1,2 mil litros. A mancha de óleo já chega a 12 quilômetros e atinge os principais rios da região e manguezais, o que pode comprometer o ecossistema do litoral.
O secretário do Meio Ambiente do Estado do Paraná, José Antônio Andreguetto, afirmou que pediu uma vistoria da Agência Nacional de Petróleo (ANP) no trecho de 96 quilômetros do oleoduto, que liga a Refinaria Getúlio Vargas em Araucária ao terminal de Paranaguá. "Esse trecho foi embargado e somente depois dessa inspeção levantaremos a medida", afirmou o secretário, que acumula o cargo de presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Além da interdição do oleoduto, a secretaria estuda o valor da multa a ser aplicada.
O IAP já pediu a abertura de um inquérito na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente. A estatal iniciou o trabalho de limpeza dos Rios Sagrado, do Meio e Nhundiaquara com cerca de 500 homens. Morretes fica a 60 quilômetros de Curitiba. "Vamos exigir que a empresa repare todo o dano que está causando ao ecossistema da região", disse Andreguetto. Nessa área, as maiores fontes de renda são a pesca e o turismo.

19/02/01 ESTADÃO

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Sabesp normaliza fornecimento de água

 

São Paulo - A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) vai normalizar, de forma escalonada, a partir de 8 horas da manhã desta sexta-feira, o abastecimento de água para 3,5 milhões de paulistanos que tiveram o fornecimento prejudicado ontem. Este é o horário estabelecido pela Sabesp para a água voltar às torneiras nos bairros de Americanópolis, Vila Mascote, Chácara Flora, Morumbi, Capão Redondo, Butantã, Vila Olímpia, Interlagos, Taboão da Serra, Jabaquara e Embu. Entre 16 horas e 20 horas desta sexta-feira, a Sabesp vai regularizar o abastecimento nos bairros de Vila Mariana, Sacomã, Pirajuçara, Jardim Arpoador e Interlagos.

Até à 0h de sábado, os bairros de Granja Viana e uma parte de Shangri-Lá terão o abastecimento de água regularizado, e a partir de 20 horas, Capela do Socorro e outro trecho de Shangri-Lá.

Vera Avedisian

23/02/01 ESTADÃO

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Rodízio de água pode ser antecipado em Itu (SP)

Itu, SP - A falta de chuvas pode antecipar o rodízio no abastecimento de água, previsto inicialmente para junho, em Itu, a 98 quilômetros de São Paulo.

Há quase três semanas não chuve no município, e o nível dos reservatórios começou a baixar.

Os dias ensolarados e de alta temperatura que prevaleceram na última semana contribuíram para o aumento do consumo e a evaporação da água acumulada nas represas do Itaim, Fubaleiro e Braiaiá, principais fontes de captação.

A do Itaim apresentava o nível mais baixo, nesta quinta-feira, com 75% da sua capacidade. As outras tinham entre 80 e 90% de água.

O problema é que as represas estão assoreadas, e a lâmina de água não é profunda. A cidade, de 140 mil habitantes, teve o abastecimento racionado durante seis meses no ano passado.

Nesta quinta-feira uma rápida frente fria deixou o tempo nublado e fez cair a temperatura, mas não veio acompanhada de chuvas.

A prefeitura está realizando obras de desassoreamento na represa do Itaim, mas isso não será suficiente para evitar o rodízio. Se não ocorrerem chuvas abundantes, a distribuição de água pode passar a ser alternada já a partir de maio.

A expectativa do Serviço Autônomo de Água e Esgotos (SAAE) é que a queda da temperatura prevista para as próximas semanas faça baixar o consumo.

O SAAE continua pedindo à população que instale caixas domiciliares e evite o desperdício de água.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo 12/04/01

 

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200 mil pessoas podem ficar sem água em SP

 São Paulo - O rompimento de uma adutora de um metro de diâmetro pode deixar até 200 mil pessoas sem água na zona sul da capital paulista. A adutora da Rua França Pinto - que transporta água para o reservatório da Vila Mariana - se rompeu hoje de manhã, perto do Cebolinha, no Ibirapuera. Segundo a Assessoria de Imprensa da Sabesp, ainda não há falta de água na região porque até o rompimento da adutora o reservatório estava cheio e as caixas d´água também.

A previsão é que até às 21 horas o bombeamento de água para a Vila Marina e região volte ao normal, mas não está descartada a possibilidade de haver falta de água. A pavimentação da Rua França Pinto, que foi danificada pelas obras, deve ser refeita até domingo.

 Fonte: Jornal Estado de São Paulo 17/04/01

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Falta d’água: pouca chuva não é única culpada

Desperdício, poluição, desmatamento e gestão de rercursos hídricos voltada para grandes obras também colaboram para a escassez

 São Paulo - A criação do Dia Mundial da Água, comemorado hoje (22/3), foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas, em 1992, para mostrar que a escassez era uma ameaça aos conglomerados urbanos no mundo. O alerta, no entanto, não conseguiu evitar o agravamento do problema, como demonstra a situação de risco de racionamento de água e energia que enfrenta toda a região Sudeste, por conta do baixo nível de água em seus mananciais.

Embora as chuvas tenham ficado abaixo da média para esta época do ano, o volume de precipitação não pode ser considerado o único fator a desencadear a crise. A perda de qualidade da água, a fragilização dos ecossistemas nas regiões de mananciais, além da falta de uma gestão de recursos hídricos que contemple mais do que grande obras, são vilões tão ou mais importantes.

"O grande problema é o uso pouco racional, pois o volume de água por bacia é constante, o que tem aumentado é a população, diminuindo os metros cúbicos de água por cidadão. Assim, precisamos de cada vez mais energia elétrica e água para abastecimento e ficamos sem margem de manobra em momentos de estiagem", diz o presidente do Consórcio dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, engenheiro José Roberto Fumach.

Prefeito de Itatiba, Fumach acredita que é preciso inverter essa situação, criando novas alternativas, como tratar os esgotos e reutilizar a água em processos industriais, além de diminuir as perdas no sistema. "Essas medidas são fundamentais numa bacia como a nossa, que perde, através do Sistema Cantareira, 33 m3/s de água para a Região Metropolitana de São Paulo. Com menor volume de água, temos uma saturação de esgoto nos rios, que ficam impróprios para consumo", diz.

Outra razão apontada pelo presidente do Consórcio para a falta d’água é o mau uso do solo. O desmatamento, principalmente das matas ciliares, faz com que a água corra rapidamente para os vales e não fique retida na bacia. "Quando a chuva cai em áreas florestadas, temos maior constância de água no sistema hídrico. Além disso, o assoreamento provocado pelo desmatamento entope nascentes e diminui a capacidade de armazenamento dos mananciais, que ficam mais rasos", explica Fumach.

O mesmo problema acontece com a impermeabilização do solo nos grandes centros. "São Paulo, por exemplo, é conhecida como a metrópole das nascentes soterradas, por estar localizada sobre as cabeceiras de uma bacia hidrográfica", diz Carlos Bocuhy, coordenador da Campanha Billings, Eu Te Quero Viva. "A mesma água que deveria entrar no solo - abastecendo aqüíferos subterrâneos e garantindo água para abastecer os reservatórios da cidade no período de estiagem, corre superficialmente sobre o concreto, provocando enchentes. As inundações são, na verdade, a falta de recarga de nossos mananciais", avalia.

Na opinião de Maria Luisa Ribeiro, coordenadora do Fórum Estadual da Sociedade Civil dos Comitês de Bacia, o problema crônico de escassez de água é resultado da falta de planejamento e de políticas desintegradas. "Embora a legislação determine uma gestão participativa e por bacia dos recursos hídricos, o planejamento e os investimentos continuam sendo setoriais e privilegiando o setor energético", avalia.

Um exemplo disso, segundo Ribeiro, "é o projeto de flotação do rio Pinheiros, decidido sem que o Comitê de Bacia tenha sido consultado e tendo como objetivo principal a geração de energia". Para a coordenadora do Fórum, a atual crise prova que investir somente em grandes obras estruturais não dá resultado. "Precisamos ter mecanismos eficientes de uso racional da água, como forçar a reutilização para uso industrial e comercial e um código de postura para a construção civil, que contenha o reaproveitamento de água de chuva. Até o momento, também não tivemos campanhas que realmente mostrem para a população como utilizar a água, mesmo fora das épocas de crise. Sem uma gestão integrada, a única solução para evitar o racionamento de água é chamar São Pedro para presidir os Comitês de Bacias", diz.

 Fonte: Jornal Estado de São Paulo 22/03/01

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Caixa vai financiar imóveis que transformam água de chuva em potável


A Caixa Econômica Federal vai financiar a construção de prédios que utilizam uma tecnologia de tratamento da água de chuva para ser usada no abastecimento dos apartamentos.

A novidade é uma medida da Caixa para prevenir uma futura crise de desabastecimento de água.

Segundo o superintendente nacional de parcerias da Caixa, Vulíos Bandeira Vargas, o banco quer prevenir futuros problemas de racionamento com a utilização de tecnologias alternativas.

"O tratamento da água de chuva é uma solução criativa para driblar eventuais problemas de desabatecimento de água", disse.

Essa nova tecnologia ainda está em estudo. Mas a Caixa já se enquadrou na nova era de crise energética e autorizou ontem a utilização da tecnologia de energia solar em substituição à elétrica nos imóveis financiados.

A mudança significa que a partir de agora, os engenheiros da Caixa que analisam os pedidos de financiamento de unidades habitacionais estão autorizados a aprovar propostas que utilizam essa tecnologia.

A decisão se estende a todas as obras acompanhadas pela Caixa, inclusive aquelas que contam com recursos do Orçamento Geral da União.

"Apesar de a instalação do equipamento solar ser cara que a convencional, essa é uma decisão que se justifica pela necessidade do país de energia", disse o diretor de Desenvolvimento Urbano da Caixa, Aser Cortines.

 Fonte: Jornal Folha de São Paulo 13/04/01

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Racionamento de água começa nesta terça para 300 mil em SP

O racionamento de água começa nesta terça-feira para 300 mil pessoas atendidas pelo Sistema Alto Cotia. Os municípios atingidos são Embu, Embu-Guaçu, Cotia e Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.

A região atingida pelo racionamento foi dividida em três blocos pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Os moradores ficarão 40 horas com água e 32 horas sem água.

O fornecimento será interrompido sempre às 15h do dia anterior ao indicado e normalizado às 23h do próprio dia. A normalização do abastecimento em bairros localizados em pontos altos e distantes dos reservatórios, deverá ser mais demorada.

O consumidor pode obter outras informações pelo telefone 195, que funciona 24 horas por dia.

A programação da Companhia para o racionamento vai até dia 31 de maio. No entanto, o prazo poderá ser prorrogado.

No ano passado, o racionamento começou no dia 11 de abril para a região de Cotia e no dia 1º de junho para a capital paulista, terminando em setembro.

Situação dos reservatórios

A Sabesp ainda não definiu se a capital paulista também terá racionamento de água. Números desta segunda-feira mostram que o nível dos reservatórios ainda é preocupante. Veja a comparação com números registrados pela Sabesp no dia 17 de abril de 2000.

Cantareira - o sistema opera com 40,9% de sua capacidade. Há um ano, o sistema apresentava 67,5% da capacidade.

Guarapiranga - apresenta 60% de sua capacidade. No ano passado, o sistema também operava com 60% da capacidade.

Cotia - está com 28% da capacidade. Há um ano, o sistema operava com 37,1% da capacidade.

Rio Grande - opera com 96,8% da capacidade. No dia 17 de abril de 2000, o sistema operava com 85,1% de sua capacidade.

Rio Claro - está com 62,9% da capacidade. Há um ano, estava com 60,6% da capacidade.

Alto Tietê - opera com 51,1% da capacidade. No ano passado, o sistema operava com 72,8% da capacidade.

Dicas de economia

Lavando a louça com a torneira de pia meio aberta durante 15 minutos, gastam-se 243 litros de água. Para diminuir este número, limpe os restos dos pratos e panelas com uma escova e jogue no lixo, depois coloque água na cuba até a metade para ensaboar e feche a torneira.

Lavadora de louças com capacidade para 44 utensílios e 40 talheres (para seis pessoas), gasta 40 litros. Por isso, o ideal é ser utilizada somente quando estiver cheia e não com poucos utensílios. O mesmo vale para a lavadora portátil.

Bacia sanitária com válvula com o tempo de acionamento de seis segundos gasta 10 litros de água. Quando a válvula está defeituosa, pode chegar até 30 litros.

Se uma pessoa escova os dentes em cinco minutos com a torneira não muito aberta, gasta 12 litros de água. No entanto, se molhar a escova e fechar a torneira enquanto escova os dentes e, ainda enxaguar a boca com um copo de água, consegue economizar mais de 11,5 litros de água.

Banho de ducha por 15 minutos, com a torneira meio aberta consome 243 litros. Se fechar o registro enquanto se ensaboa, diminuindo o tempo de banho para cinco minutos, o consumo cai para 81 litros.

Regar jardins e plantas durante dez minutos chega-se a gastar 186 litros de água. Para economizar, durante o verão regue as plantas de manhãzinha ou à noite, o que reduz a perda por evaporação. No inverno, regue o jardim dia sim, dia não, pela manhã. Mangueira com esguicho-revólver também ajuda. Com esses cuidados pode-se chegar a uma economia de 96 litros por dia.

Muita gente gasta até 30 minutos lavando carro. Com uma mangueira não muito aberta, gastam-se 216 litros de água. Com a torneira aberta meia volta 560 litros. Mas se lavar o carro apenas uma vez por mês usando um balde de dez litros para molhar e ensaboar e, também, balde para enxaguar , pode-se chegar a um consumo de apenas 40 litros.

Gotejando, uma torneira chega a um desperdício de 46 litros por dia, 1.380 litros por mês.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo 17/04/01

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Hidrogênio combaterá aquecimento global

A crise do petróleo na década de 70 fez com que os cientistas buscassem alternativas à gasolina, como o álcool. Outra opção eram as células ou pilhas combustíveis, movidas a hidrogênio. Esta tecnologia, praticamente abandonada antes do fim da crise, hoje volta como a mais promissora arma contra o aquecimento global. Tudo porque equipamentos e sistemas movidos a células combustíveis emitem vapor d’água no lugar de gás carbônico (CO2) - tido como o maior responsável pela elevação da temperatura.

A preocupação ambiental contribui para a expansão da tecnologia. A multinacional Shell, por exemplo, criou a Shell Hydrogen, um braço da empresa cujo principal objetivo é desenvolver fuel cells (o nome em inglês da pilha combustível). As células são capazes de gerar energia ao serem alimentadas diretamente com hidrogênio puro, liberando apenas água na atmosfera, ou usando o hidrogênio produzido a partir de hidrocarbonetos (como gasolina e o gás natural) ou alcoóis, como etanol e metanol.

O ideal seria fazer com que carros, por exemplo, fossem movidos apenas a hidrogênio, liberando unicamente água. Mas a maior parte das pesquisas hoje usa hidrocarbonetos e alcoóis (principalmente o etanol), para obter o hidrogênio usado na pilha.

- A vantagem do etanol é que a quantidade do CO2 liberado como resultado do processo é a mesma da já absorvida da atmosfera pela cana-de-açúcar, da qual se obtém o álcool, através da fotossíntese. No caso de hidrocarbonetos e alcoóis, seu uso nas células representaria uma economia de 5% a 15% na emissão dos gases, o que já cumpriria os acordos propostos pelo Protocolo de Kioto (pelo qual os países precisariam diminuir 5,2% de suas emissões de CO2) - diz o físico Ennio Peres da Silva, do recém-inaugurado Centro Nacional de Referência em Energia do Hidrogênio (Ceneh).

Em funcionamento na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, o Ceneh é o primeiro centro no Brasil a construir o protótipo de um carro movido a hidrogênio. As maiores pesquisas ocorrem nos EUA e na Alemanha, onde diversos veículos a hidrogênio já circulam.

- Hoje, nosso carro funciona com a ajuda de um motor a combustão interna, que simula o papel da célula combustível. Mas esperamos, em breve, obter ou desenvolver as células para comprovar sua viabilidade - explica da Silva.

No Rio de Janeiro, o Laboratório de Hidrogênio da Coppe focaliza suas pesquisas numa área mais básica, que consiste na produção de pilhas combustíveis e no desenvolvimento de formas de armazenamento do gás. O tipo de célula combustível mais promissor é a Membrana de Troca de Prótons (PEM, na sigla em inglês), que permitirá, no futuro, que as pilhas combustíveis levem luz, por exemplo, a áreas remotas onde o abastecimento convencional é difícil, ou caro demais.

- Acredito que as aplicações da pilha para a geração de energia elétrica de forma estacionária (em residências, escolas e comércio) aconteçam dentro de quatro ou cinco anos. Em ônibus e automóveis tudo é mais complexo, já que se exige uma rede de abastecimento, que não há em nenhum local do mundo. Além disso, a estocagem do hidrogênio não é muito simples. Por isso o uso de hidrocarbonetos e alcoóis pode ser uma boa alternativa - diz Paulo Emílio de Miranda, chefe do laboratório da Coppe.

Miranda explica que o hidrogênio pode ser armazenado na forma gasosa, (sob pressão em cilindros) ou na forma líquida. As duas maneiras não satisfazem, já que em cilindros o gás ocupa muito espaço e, na forma líquida, o gás precisa permanecer a uma temperatura de menos 253 graus. A Coppe estuda uma nova forma de guardar o gás, desfazendo sua molécula e armazenando o elemento químico dissolvido numa liga metálica sólida.

Fonte: Jornal O Globo 08/04/01

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Marca de subdesenvolvimento

Casos de poluição e contaminação tóxicas existem desde que existe o mundo industrial. São os cuidados com seu controle e as providências para proteger as pessoas de seus efeitos nocivos que definem o grau de civilização de uma sociedade. A este respeito, pode-se afirmar que todas as circunstâncias em torno da contaminação da área próxima da fábrica de agrotóxicos da Shell, em Paulínia, refletem as marcas do subdesenvolvimento.

Fosse na Suécia, na Suíça, na Inglaterra ou no Canadá, será que uma contaminação descoberta há mais de sete anos continuaria produzindo seus efeitos na população, tendo merecido da empresa multinacional que lhe deu causa, tanto quanto das entidades públicas encarregadas do meio ambiente (ou da saúde pública), soluções no máximo paliativas - e assim mesmo tomadas com extrema morosidade, como se para ninguém houvesse qualquer pressa em resolver o problema?

Em depoimento prestado à Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Assembléia Legislativa, a vice-presidente de Assuntos Químicos da Shell para a América do Sul, Maria Lúcia Pinheiro, admitiu que desde 1993 a empresa sabia da contaminação da área de sua fábrica de agrotóxicos com organoclorados de tipo "drins" e metais pesados, substâncias altamente tóxicas. E que, apesar de informada do problema desde 1994, a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) não solicitou que fosse analisada a água dos poços das chácaras vizinhas, a 15 metros da fábrica. As primeiras dessas análises só foram feitas no ano passado. Incompreensivelmente, a Cetesb ali "não viu riscos", mesmo em se tratando de fábrica construída em área sujeita a inundações sazonais, a 150 metros do Rio Atibaia. E, como disse o secretário do Meio Ambiente de Paulínia, Henrique Padovani: "É área de preservação permanente, em terreno permeável, onde jamais deveria ter sido instalada indústria desse tipo."

Só no ano passado, por exigência dos moradores, a Shell analisou a água que eles bebiam. A partir de então, a empresa passou a fornecer água aos moradores e comprar sua produção agrícola. Quer dizer, tendo água para beber de graça, dos caminhões-pipa, e comprador certo para os produtos de sua terra contaminada, os chacareiros de Paulínia deveriam dar-se por perfeitamente satisfeitos! E vem, então, a melhor parte do depoimento da representante da Shell: "A contaminação é pequena, segundo projeções matemáticas: se os moradores não consumirem nem a água nem os produtos da terra, podem continuar lá, sem riscos." E dava detalhes dessas suas "projeções matemáticas", afiançando que o cálculo prevê que "banhos de 20 minutos" seriam inofensivos, e que "se as crianças não permanecerem mais de 6 horas diárias em contato com a terra" estariam razoavelmente seguras.

Seria cômico, se não fosse trágico.

Apesar de também ter agido com grande morosidade no caso, o Ministério Público chegou, a certa altura, a exigir mais do que "cálculos teóricos" para comprovar os índices de contaminação dos moradores. Em agosto do ano passado, solicitou que a Shell realizasse exame de sangue naquela população - tendo a empresa se comprometido a fazê-lo. Só que não cumpriu a promessa e nem sofreu conseqüências por isso, o que levou a prefeitura de Paulínia a bancar tais exames. Teria a multinacional achado dispendioso demais custear simples exames de sangue para um número não exagerado de pessoas? Ou será que não lhe interessavam os possíveis resultados?

Nas sociedades civilizadas, a saúde dos cidadãos é preservada de malefícios decorrentes de quaisquer formas de poluição ambiental quando, além das leis de proteção e controle, há instituições públicas eficientes para fazê-las cumprir. E, quando qualquer desses agentes falha em sua obrigação, fica sujeito a pagar grandes indenizações às vítimas, como o mostra o filme semidocumentário, Erin Brokovich, ora em cartaz, que deu o Oscar a Julia Roberts. Neste caso da contaminação de Paulínia, afora os sinais de múltipla negligência - da indústria, o que é concebível, e das autoridades ambientais, o que não é -, percebe-se, antes de tudo, uma falta de respeito à cidadania. Pois, apesar de, muitas vezes, por ignorância ou pelas dificuldades da vida, as pessoas se deixarem "compensar", de forma irrisória, contra riscos de danos permanentes, não se pode, numa sociedade civilizada, aceitar soluções de compromisso que firam a dignidade do homem e ameacem o seu direito à vida com saúde.

 

Fonte: Jornal Estado de São Paulo 16/04/01

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Falta d´água não é generalizada

Anomalia climática prejudica enchimento de reservatórios no Sudeste, mas com diferenças muito acentuadas em cada localidade.

Campinas - A perspectiva de racionamento de energia e água, na região Sudeste, devido ao baixo nível dos reservatórios, surpreende os habitantes de algumas localidades - como São Paulo e Campinas - onde as chuvas torrenciais provocaram inundações ao longo de todo o verão. Como pode haver falta d´água se as enchentes ainda estão acontecendo?

A dúvida se justifica, quando se analisam os dados acumulados da estação chuvosa e o comportamento anômalo da Zona de Alta Pressão do Atlântico Sul Subtropical, que rege o sistema de frentes frias em todo o Sul-Sudeste do Brasil. Segundo Carlos Nobre, diretor do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe), neste verão praticamente não ocorreram chuvas associadas aos sistema de frentes frias, porque a Zona de Alta Pressão se deslocou precocemente para cima do continente, bloqueando a entrada das frentes desde o norte de Santa Catarina até o sul da Bahia.

Normalmente, a Zona de Alta Pressão permanece sobre o Oceano Atlântico durante o verão, deslocando-se lentamente na direção do continente ao longo do outono e permanecendo sobre o continente durante o inverno, razão pela qual o inverno é seco no Centro-Sul do País. "Este ano, não sabemos porque, a Zona de Alta Pressão deslocou-se antes para o continente e impediu a passagem das frentes frias, que vem acompanhadas das chuvas mais generalizadas, mais duradouras e menos torrenciais", explica Nobre. "Isso não significa que não choveu. Na verdade, ocorreram muitas chuvas de outro tipo, como as de convecção e as orográficas".

As chuvas de convecção são as chamadas chuvas de verão. Bastante localizadas, caem só embaixo de cada nuvem, em áreas que chegam, no máximo, a 15 quilômetros. São mal distribuídas e mais violentas do que as chuvas de frentes frias e normalmente estão associadas a raios, ventos e enchentes.

As chuvas orográficas ocorrem nas localidades próximas de morros e encostas, provocadas pelo acúmulo de nuvens por efeito de relevo e são melhor aproveitadas para abastecimento, quando as margens dos cursos d´água ou reservatórios têm florestas.

"Muitos dos reservatórios de hidrelétricas e alguns de abastecimento estão sofrendo com falta d´água, sobretudo porque já estavam vazios desde a seca do ano passado, quando tivemos dois meses - abril e maio - com apenas 10% da precipitação média", acrescenta o pesquisador. "Para enchê-los seriam necessárias chuvas acima da média, que não ocorreram e provavelmente não vão ocorrer nos próximos meses". A redução da capacidade de armazenamento das represas, devido ao assoreamento, ajudou a piorar a situação.

A falta d´água nos reservatórios, porém, não atinge muitas das localidades que fazem captação junto a morros e encostas, porque nestas ocorreram as chuvas orográficas, garantindo a normalidade. Também não atinge as áreas onde tenham caído muitas chuvas de verão. "E nem há falta d´água para a agricultura, porque as chuvas de verão garantiram a umidade do solo", lembra Nobre. "Pode acontecer de uma propriedade sofrer perda de produtividade e uma área literalmente vizinha ter ganho de produtividade, devido à má distribuição característica das chuvas de verão, mas não tivemos veranicos e não tivemos falta como no ano passado".

Fora da região sobre a qual está a Zona de Alta Pressão, as chuvas estão dentro das médias. As chuvas de frentes frias ocorreram normalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina e está chovendo dentro do previsto da Bahia para o norte, assim como no Centro-Oeste e Amazônia.

Fonte: Jornal Estado de São Paulo 22/03/01

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Sites ajudam a entender o problema da água

São Paulo - O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social está lançando hoje, para comemorar o Dia Mundial da Água, a Semana pelo Consumo Consciente da Água, no site Akatu.net (www.akatu.net), criado para promover o consumo responsável. O objetivo da campanha é mobilizar os internautas para fazer ações concretas no seu dia-a-dia de combate ao desperdício da água.

Entre as informações disponibilizadas estão que fechar a torneira enquanto se escova os dentes pode economizar cerca de 36 litros de água por dia. Essa economia em um ano chega a 13.140 litros. O site conta ainda com uma enquete na qual cada um pode registrar o que fez a cada dia para consumir água de forma consciente. Ao final de uma semana, os resultados da enquete serão contabilizados para mostrar o quanto o participante economizou de água.

Outro site com informações sobre água será lançado no próximo sábado (24/03), pela Fundação SOS Mata Atlântica. O site www.rededasaguas.org.br trará informações sobre a questão da água doce no mundo, as bacias hidrográficas brasileiras e do Estado de São Paulo, um histórico do sistema estadual de recursos hídricos, o que são os comitês de bacias, legislação específica, guia de denúncias e notícias do setor. "A interatividade é a característica principal do projeto. Nosso objetivo é estimular a participação dos cidadãos na gestão dos recursos hídricos", afirma Maria Luisa Ribeiro, coordenadora do projeto.

Com dados de saúde pública e voltado para o saneamento básico, o site www.esgotoevida.com.br, da entidade Água e Cidade, enfoca a situação dos recursos hídricos brasileiros e mundiais e conclama a população a exigir providências em seus municípios. Enquanto estiver consultando o site, o internauta acompanha uma tabela mostrando quantas crianças estão morrendo no mundo, naquele momento, por problemas relacionados à poluição ou à falta d’água.

Fonte: Jornal Estado de São Paulo 22/03/01

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 Shell: contaminação é mistério

Depois de descobrir a contaminação com pesticidas da Shell no bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia, a 20 km de Campinas, o Ministério Público (MP) e a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) querem saber como os organoclorados de tipo drins - que são as substâncias tóxicas - conseguiram entrar no lençol freático da região.

Desde 1994, quando a própria Shell detectou a contaminação no solo, as providências para evitar a expansão do problema foram tomadas, informam o MP e a Cetesb. "Fizemos a contenção e a monitoração da área contaminada por meio de barreiras hidráulicas e tratamos o solo", afirma o coordenador do centro de apoio operacional das promotorias de Justiça do Meio Ambiente, José Carlos Meloni Sicoli.

O problema é que técnicos e cientistas não esperavam que a contaminação ultrapassasse os limites sa empresa. "Apenas o solo estava contaminado e as substâncias dificilmente atingiriam o lençol freático", diz o assessor da diretoria de controle da Cetesb, Geraldo Amaral. "A afinidade dos drins com a água é muito pequena, eles não costumam se associar e, além disto, o solo contaminado era pouco permeável." Mas, contrariando os prognósticos, os moradores começaram a perceber a alteração da água nos poços." E isto ocorreu por meio das águas subterrâneas. "Ainda não há uma explicação técnica para a contaminação do lençol", diz Amaral.

Risco para moradores

A água dos poços das chácaras vizinhas não foram analisadas em 94. Apenas no ano passado ocorreram os primeiros estudos, quando constatou-se a contaminação. "Recebemos denúncias dos moradores no fim de 1999", conta. "Eles reclamavam do odor e do gosto da água." Agora, com a contaminação comprovada, resta descobrir se a Shell foi negligente ou não poderia mesmo ter evitado a contaminação.

Já os moradores da região podem ter sido contaminados, mas o risco é pequeno, garante Amaral. "Não sabemos quanto tempo as pessoas ficaram expostas à contaminação, mas a concentração da substância na água é pouca."

A concentração também não é suficiente para contaminar o Rio Atibaia, que passa pelo bairro e abastece a região de Campinas. A professora do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp),Meire Rosa Santiago Silva explica que os drins atacam o fígado.

Fonte: Jornal da Tarde 17/04/01

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Racionamento de energia atingirá mais residências, diz ministro

O ministro José Jorge (Minas e Energia) disse há pouco que o racionamento de energia vai atingir principalmente as residências. Isso porque, segundo ele, essa é a área onde há 'mais gorduras para cortar''.

Segundo José Jorge, a decretação do racionamento será discutida no início de maio, quando será feita uma avaliação das medidas atualmente em vigor para reduzir o consumo.

'Se depender das chuvas, haverá racionamento, mas o plano de racionalização ainda pode gerar algum resultado positivo'', afirmou.

O ministro está participando, em São Paulo, do 1º Fórum Brasileiro de Energia Elétrica, promovido pela Anbid e com a presença de investidores do setor.

Fonte: Jornal

 

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