Os níveis das represas que abastecem a Grande São Paulo estão muito baixos. Estudo para decidir racionamento fica pronto no próximo mês
Águas de março - CRESCIMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO TAMBÉM DEPENDERÁ DE SÃO PEDRO
Imundícies e palafitas degradam manguezais
O despejo de esgoto, de lixo doméstico e os assentamentos indiscriminados de palafitas sobre a região de mangues continuam sendo as principais ameaças à sobrevivência dos mangues da Baixada Santista. Pelos dados mais recentes da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb), Santos tem cerca de 43% de manguezais degradados pela construção de favelas, o equivalente a 22 quilômetros quadrados de um total de 51 quilômetros quadrados originais.
Os efluentes dessas moradias, por não terem rede coletora de esgoto, são canalizados pelo rio, comprometendo a qualidade do alimento consumido pelos animais que sobrevivem do mangue. Um dos lugares mais críticos que retratam essa situação é o Dique da Vila Gilda, na Zona Noroeste de Santos, onde mais de 3 mil barracos se aglomeram em um espaço que antes pertencia ao mangue.
O local é servido pelo rio do Bugre, que divide os municípios de Santos e São Vicente. A última contagem populacional feita pela prefeitura de Santos, em 93, estimou em cerca de 15 mil habitantes na área de Santos e 6.500 na área de São Vicente.
Fonte: A Tribuna de Santos - 12/ago/97
Voltar| Contas de
água chegam com reajuste de até 700%
Mais de 400 pessoas foram hoje ao Distrito Regional Vila Mariana da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para reclamar do aumento nas contas de água. O último aumento, autorizado no dia 28 de janeiro, foi de 45% e está sendo cobrado nas contas com vencimento em março. Nas contas de fevereiro já havia sido aplicado um aumento de 19,39%, autorizado no dia 12 de janeiro. Mas há contas com reajustes de mais de 700%. Na subsede da Sabesp em Moema, zona sul da cidade, as pessoas esperavam até nove horas para ser atendidas. Elas preenchiam um formulário com a reclamação e recebiam a promessa de que a Sabesp ia estudar o caso. O aposentado João Batista Alves, de 63 anos, que mora na Vila Joaniza, zona sul, chegou às 8 horas e até as 15h30 não tinha sido atendido. Ele disse que não tem como pagar a conta.. "Ganho uma miséria de salário mínimo e não tenho condições de pagar os Cr$ 17 mil que a empresa cobrou". Alves pagou no mês passado Cr$ 7 mil, o que dá um aumento de 142% no preço cobrado. Adauto Gomes dos Santos, de 23 anos, que também mora na Vila Joaniza, estava indignado. "Paguei Cr$ 5,600,00 em fevereiro e agora veio essa bagatela de Cr$ 46 mil", ironizou sobre os 721% de aumento. Para ele, duas pessoas - ele e a mulher - nunca gastariam tanta água assim. O pintor Joel Santana, que mora no Bosque da Saúde, também na zona sul, tentava reclamar pela terceira vez. Ele mostrou sua conta de água do mês passado, de Cr$ 3 mil, e a desse mês, de Cr$ 12.140,00 - 304% de aumento. "Onde é que foi parar o congelamento do governo?", perguntou. A cozinheiro Marta Delfina Viana, que mora no Jabaquara, prefere que a Sabesp corte a água de sua casa a pagar os Cr$ 9.500,00 cobrados. O aumento na conta dela foi de 375%. Para o comerciante Domênico Mileo, de 58 anos, que mora no bairro da Vila Mariana, a Sabesp deve ter errado no cálculo. "Como minha última conta de água pode sofrer uma variação de Cr$ 2 mil para Cr$ 11 mil? Não vou pagar." A variação significa 450%. A mesma disposição tinha a professora primária Neusa Borges, que mora no bairro do Aeroporto, e disse que não vai pagar os Cr$ 40.494,00 cobrados. Ela pagou no mês passado Cr$ 5 mil. Márcio Riscala, assessor de imprensa da Sabesp, disse que a empresa vai estudar todos os casos das pessoas descontentes Estado de São Paulo 12/03/01 Evaldo Magalhães |
| Sabesp interdita
Biquinha em São Vicente
A tradicional Biquinha de Anchieta, um dos principais pontos turísticos do município de São Vicente, foi interditada hoje. A água consumida pela população local e pelos turistas está contaminada por coliformes fecais, de acordo com denúncia do escritório regional da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Por isso, a Vigilância Sanitária do Serviço de Saúde de São Vicente (Sesasv) interditou ontem as três torneiras, além de solicitar análise das águas ao Instituto Adolfo Lutz. Segundo informou o coordenador da Vigilância Sanitária do Sesasv, Arnaldo José Ballarini, a interdição foi determinada pelo decreto 12.342/78, que estabelece o Código Sanitário para proteção da saúde pública. A Sabesp apurou que as duas caixas que recebem água da nascente do morro dos Barbosas apresentam contaminação. A água coletada nas torneiras da histórica Biquinha apresenta 26 coliformes fecais por 100 mililitros de água, índice considerado bastante elevado e que pode provocar doenças como diarréia e até hepatite. Durante o ato de interdição, os técnicos da Vigilância Sanitária tiveram muito trabalho para tentar convencer as pessoas que freqüentam a Biquinha do risco de se contaminarem com o consumo daquela água. De acordo com a Sabesp, o sistema de cloração das duas caixas, conhecido como gota a gota, não está funcionando de maneira adequada, pois a manutenção do equipamento não é feita há mais de um ano. Alguns aposentados, que moram nos edifícios localizados na praça 22 de Janeiro, junto à Biquinha, não se conformavam com a interdição, alegando que consomem a água há anos e nunca apresentaram nenhuma doença. Os proprietários das tradicionais barraquinhas de doces, outra atração do local, também protestaram contra a medida. "Não podemos fechar os olhos para um problema tão sério quanto este e, para tranqüilizar a população, estamos solicitando novas análises da água e providências imediatas no sentido de sanar as falhas do sistema de cloração", afirmou o responsável pela Vigilância Sanitária, Arnaldo Ballarini. 11/03/01 Estadão |
| Cosmópolis amplia rede de esgoto para 90% da população Até o final do ano, o percentual de famílias beneficiadas com rede de esgoto em Cosmópolis -cidade de 45 mil habitantes- vai subir de 60% para 90%, sem que isso implique em aumento de poluição das águas dos rios e córregos. Apesar de um emissário ter sido construído há seis meses, os esgotos só serão ligados após a conclusão das obras de uma nova estação de tratamento. "A população vai esperar mais um pouco, mas garantiremos a preservação de nossos mananciais e dos municípios da região", afirma o prefeito José Pivatto (PT), lembrando que Cosmópolis está na bacia do Rio Piracicaba. "É certo que no momento estou perdendo politicamente, mas precisamos pensar no futuro", diz Pivatto, falando da falta de saneamento básico nos onze bairros -ou 17 mil pessoas- por onde passa o interceptor de esgoto ainda desativado. Na periferia da cidade é grande o número de fossas próximas a poços de água. O resultado é o risco sempre presente de contaminação dos lençóis freáticos e da água consumida pela população. A Prefeitura está investindo Cr$ 30 milhões para a construção da rede de esgoto e Cr$ 100 milhões para a estação de tratamento. O cronograma do Departamento de Água e Esgoto (DAE) prevê a coincidência entre a conclusão das duas obras. "Não queremos lançar sequer um quilo de material orgânico não tratado no Ribeirão Três Barras - afluente do Rio Jaguari, que faz parte da Bacia do Piracicaba", diz o diretor do DAE, Mauro Pereira. Com a nova estação, será possível tratar pelo menos 80% dos seis milhões de litros de esgoto produzidos diariamente no município. A cidade conta com uma antiga estação de tratamento, que tem capacidade para tratar apenas 20% do esgoto doméstico, beneficiando somente a área central. Numa primeira etapa, a estação projetada vai atender 17 mil habitantes, número que aumentará para 20 mil até novembro. Além da metodologia convencional, a estação vai contar com um sistema que permite maior depuração do esgoto. No reator anaeróbico, canaletas serpenteadas vão aumentar a duração do processo de degradação da matéria orgânica. Após essa fase, o material ainda será submetido a filtragem em equipamento com a técnica da pedra britada, retornando para dentro do reator antes de ser lançado nas águas do ribeirão. O diretor do DAE afirma que este sistema torna possível tratar em até 80% o esgoto. 11/03/01 Estadão Flavio Cordeiro |
Fé nas águas de março
08/03/01 Estadão
Cantareira, com menos de 40% do nível, é o que mais preocupa
Situação do manancial é crítica, diz presidente da Associação dos Engenheiros da Sabesp
08/03/01 Estadão
Caminho para Sabesp é reduzir vazamentos
Empresa perde 17% da água que distribui por causa de problemas na rede
CARLOS ARAÚJO
08/03/01 Estadão
Usina desperdiça água apesar da escassez de energia
São Paulo - A usina hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, vê hoje parte de seu potencial de geração de eletricidade correr literalmente rio abaixo. A usina está sendo obrigada a verter água por já estar operando em sua capacidade máxima de geração, de 4.245 megawatts (MW).
Ao mesmo tempo, membros da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) participarão em Brasília, na próxima segunda-feira, de reunião para discutir o índice de água em praticamente todas as bacias hidrográficas que abastecem as usinas do País, em razão do baixo índice pluviométrico verificado este ano.
Nem Eletronorte, administradora da usina, e tampouco o ONS querem falar sobre o "desperdício" dos 9 mil metros cúbicos por segundo de água que correm diariamente pelo vertedouro da usina. Inaugurada em novembro de 1984, a hidrelétrica localizada no trecho inferior do Rio Tocantins vive nesta época do ano o período de cheia de suas represas. A impossibilidade de ampliar o aproveitamento hídrico é clara demonstração da falta de política de investimentos do setor elétrico no Brasil durante as décadas de 80 e 90.
Por falta de obras de ampliação e descasamento de prazos de investimento entre parque gerador e linhas de transmissão, a usina só pode contribuir com 1.000 MW de energia para as regiões Sudeste e Centro-Oeste, principais pólos consumidores do País. Para resolver o problema e aproveitar plenamente o potencial hídrico da região, a Eletronorte está expandindo a geração de Tucuruí e, em 2006, a capacidade instalada será de 8.370 MW.
Para expandir a área de transmissão, a Aneel criou um programa de construção e exploração dos sistemas nos próximos anos por grupos privados. No mês passado, por exemplo, um consórcio formado pelos Grupos Alusa e Schahin ganhou duas concessões em leilão realizado pela Aneel no Rio de Janeiro. Uma delas é a interligação Tucuruí-Vila do Conde, no Pará, com extensão de 323 km e investimentos estimados em R$ 155 milhões. A linha deverá ficar pronta em 14 meses. A outra é a linha Tucuruí-Presidente Dutra, no Maranhão, com 920 km de extensão, onde R$ 623 milhões deverão ser investidos para concluí-la em 22 meses.
Além da expansão de Tucuruí e das novas linhas de transmissão, o governo federal cuida também do início das obras da usina de Belo Monte, também no Pará, para ampliar a geração de energia elétrica na região Norte. O início das obras será em junho e a usina de 11 mil MW deverá entrar em operação em 2009.
O investimento para construir Belo Monte é de US$ 3,9 bilhões e a Agência Nacional de Energia Elétrica deverá abrir, em breve, licitação para que grupos privados participem do empreendimento. O objetivo do governo federal é que 30% da usina fique nas mãos da Eletronorte, enquanto os 70% poderão ser explorados pelos grupos privados.
Jander Ramon
07/03/01 Estadão
Perdas de água em São Paulo atingem 17%
São Paulo - A solução para evitar o colapso no abastecimento de água na Grande São Paulo é investir em planejamento e obras, programas de recuperação de perdas na rede de distribuição e em projetos que incentivem o uso racional por parte da população.
A recomendação é de especialistas na área de recursos hídricos, como o presidente da Associação dos Engenheiros da Sabesp, Cid Barbosa Lima Júnior, o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente (Sintaema) do Estado, João Pedro Apolinário, e a diretora de Meio Ambiente da Secretaria Municipal de Habitação e Meio Ambiente de São Bernardo do Campo, Sonia Maria de Lima.
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informa que já tem em andamento os Programas de Racionalização do Uso da Água e de Recuperação de Perdas.
A empresa trabalha com uma estimativa de perda de 17% da produção de água, por conta de vazamentos e defeitos na rede de distribuição.
Lima Júnior afirma que a Sabesp investiu R$ 500 milhões de 1996 a 1998 no Programa Metropolitano de Água (plano de obras para dinamizar o desempenho do sistema). Para ele, isso melhorou a situação. "O problema é que não há água para abastecer tantas pessoas", justificou.
Apolinário, que é membro do Conselho Estadual de Recursos Hídricos, prega a necessidade de planejamento e mais obras, que permitam mais capacidade de reservação de água. Hoje, a Sabesp opera no limite, porque os 63 metros cúbicos por segundo, produzidos na Grande São Paulo, são totalmente consumidos.
Apolinário acrescenta que o problema vai além da área de atuação da Sabesp, porque envolve a ocupação irregular do solo e desmatamento em áreas de mananciais.
Carlos Araújo
07/03/01 Estadão
Rodízio de água pode recomeçar
Os níveis das represas
que abastecem a Grande São Paulo estão muito baixos. Estudo para decidir racionamento
fica pronto no próximo mês
07/03/01 Estadão
CRESCIMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO TAMBÉM DEPENDERÁ DE SÃO PEDRO
OTAVIANO CANUTO
06/03/01 Estadão
Enchentes: Pompéia quer solução urgente
Moradores e comerciantes
da região mais afetada pelas chuvas vai se reunir hoje com o administrador da Lapa para
cobrar providências
06/03/01 Estadão
VoltarChuva causa transtornos em Guarulhos
Aeroporto de Cumbica ficou fechado por alguns minutos e carros não conseguiam passar na Dutra, onde um rio transbordou. Na capital, choveu mais na zona leste
06/03/01 Estadão
Falta de chuva pode causar escassez de energia
No subsistema Centro-Oeste, por exemplo, o nível de água está em 37%
RENÉE PEREIRA
03/03/01 Estadão
| Chuva de março é a
maior em 19 anos
São Paulo parou hoje, pela nona vez este ano, em conseqüência da chuva. Das 18h30 de ontem até a 1 hora de hoje, o 7o. Distrito de Meteorologia registrou em Santana, zona norte da cidade, 83 mm de chuva, a metade da quantidade estimada para todo o mês de março. Foi o maior índice registrado num mês de março em 19 anos. A chuva atingiu todas as regiões e não poupou as áreas nobres, onde estão aparecendo pontos de alagamento. Uma pessoa morreu soterrada e uma criança está desaparecida na zonal sul. Os rios Pinheiros e Tietê transbordaram. É a segunda vez este ano que o Tietê transborda, apesar das obras de aprofundamento de seu leito. Isso causou grandes congestionamentos nas marginais. Na Marginal Tietê, pela manhã, formaram-se filas de até dez quilômetros, nos dois sentidos, a partir da Ponte das Bandeiras. Todos os ônibus chegavam ou partiam com grande atraso do Terminal Rodoviário do Tietê. Só no início da tarde a situação começou a se normalizar. Segundo dados coletados pela Rede Telemétrica do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), no bairro da Penha, zona leste, foram registrados 70 mm e na Mooca, também na mesma área, 123 mm de chuva. "Em março, normalmente, chove em média de 8 mm a 10 mm durante 24 horas", comparou o meteorologista Carlos Magno, da Climatempo. A chuva foi provocada pela frente fria estacionada no litoral paulista, associada à áreas de instabilidade, que vêm do Norte e Nordeste do País. Na favela do Piqueri, a 200 metros da Ponte da Freguesia do Ó, um desabamento matou o motorista de ônibus Alberto da Costa Bela. Na favela do Jardim Klein, na zona sul, uma criança está desaparecida. Foram registrados outros 12 desabamentos em vários pontos da cidade. Durante a madrugada, os bombeiros atenderam a 101 pedidos de socorro e resgataram 61 pessoas. O pátio do Mercado de Frutas Estacionário-A (MFEA), da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp), na zona oeste, ficou inundado ontem por causa do transbordamento do Rio Pinheiros. Segundo levantamento divulgado pelo diretor de Operações de Entrepostos, Antonio Celso Barbosa Lopes, houve perda de 173 toneladas de melancia, 8 de jaca, 23 de abacaxi e 13 de coco verde. "Isso representa 3% do que é vendido diariamente", disse Lopes. O prejuízo foi de Cr$ 14 milhões. A Ceagesp movimenta 10 mil toneladas de produtos por dia. Hoje pela manhã, além da lama acumulada no patio, vários comerciantes estavam preocupados. "Vai ser difícil recuperar o prejuízo", disse o proprietário da Comercial Agrícola Tropical, João Cardoso. Ele perdeu aproximadamente Cr$ 4 milhões em mercadorias. O Córrego Ipiranga, localizado na Avenia Ricardo Jafet, Ipiranga, zona sul da cidade, voltou a tansbordar e inundou várias casas na região. "Para a enxurrada não levar a geladeira, eu e minha filha ficamos com água até o pescoço", disse Terezinha de Jesus Prudente, moradora do número 273 da Ricardo Jafet. Várias casas desabaram na zona norte da cidade. Na Rua Alfredo Mário Pizzoti, na Vila Guilherme, as famílias precisaram usar barcos para sair de suas casas. O barraco da diarista Vilma Maria de Souza, na Avenida Júlio Buono, foi destruído pelas águas do Córrego Paciência. "A água subiu quase dois metros", disse Vilma, que teve de tirar seus cinco filhos pela janela. Ela responsabilizou a Prefeitura pela sujeira no córrego. "Há dez anos que moro aqui e o problema se repete". O sobrado de Ivonete Soares Derato, na Vila Maria, também foi parcialmente destruído pela chuva. O muro que faz divisa com o Córrego Mandaqui caiu e a água invadiu a casa, que ficou quase submersa. Nesta tarde, a Administração Regional de Santana interditou cinco casas na região. "Mas não temos para onde ir", reclamou Ivonete. Na Escola Estadual Lourenço Filho, na Vila Guilherme, a diretora-assistente Marisa Coghetto Andózia foi obrigada a suspender as aulas. A escola ficou parcialmente destelhada. Nas salas de aula, a água atingiu cerca de dez centímetros. "Para dar aula só se for com guarda-chuva", comentou Marisa, que não conseguiu verbas da Secretaria da Educação para resolver o problema. "Só temos condições de usar algumas salas que não têm goteiras". As gravações dos telejornais do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) tiveram de ser suspensas hoje por causa da inundação dos estúdios da Vila Guilherme. Segundo Leon Abravanel Júnior, diretor-administrativo de produção do SBT, a chuva estragou todo o piso e móveis da emissora. O TJ Brasil teve que ser gravado nos estúdios de Brasília. "Mas ainda bem que a parte técnica, que fica no 2o. andar, não foi atingida", observou Abravanel. Ele contratou uma empresa para retirar o excesso de água dos corredores da emissora 05/03/01 Estadão |
| Chuvas podem levar a estado de atenção em Santos Até o final da tarde de hoje, o Grupo Executivo dos Morros não descartava a possibilidade de ser decretado estado de atenção em Santos, devido às fortes chuvas que vêm castigando a região. Choveu muito nos últimos três dias e as encostas dos morros já se mostram saturadas, com riscos de deslizamentos. "Se as chuvas persistirem, entraremos na faixa de perigo", prevê a geóloga Cassandra Nunes, presidente do grupo. As chuvas das últimas 72 horas apresentaram um índice de 134,6 milímetros de precipitação, fato que começa a preocupar os técnicos. Por enquanto, só foram registrados alagamentos e enchentes, que provocaram muitos transtornos ao tráfego, especialmente na entrada da cidade, na noite de ontem. Houve um deslizamento de terra no morro do Saboó, atingindo o quintal de uma casa. Os moradores foram aconselhados a deixar o local, já que havia risco do material de uma construção clandestina atingir a residência. Um muro de pedra também desabou no morro do Pacheco, e uma grande quantidade de lixo desceu do morrro de São Bento. Hoje à noite, somente Ônibus e caminhões podiam transpor a avenida Martins Fontes, na entrada da cidade, onde as águas atingiram quase um metro de altura. O bairro do Gonzaga teve pontos de alagamento. A prefeita Telma de Souza (PT) atribuiu as enchentes aos fortes ventos que atingiram a região na quinta-feira. "Nada menos que 97 árvores foram derrubadas e uma quantidade assustadora de folhas acabou entupindo os bueiros, provocando os transtornos que já eram esperados", disse. Segundo revelou a prefeita, a secretaria de Planejamento elaborou um mapeamento subterrâneo da cidade, com o objetivo de corrigir as eventuais falhas de drenagem. Só para elaboração de projetos de drenagem da zona noroeste, a secretária de Planejamento, Lenimar Rios, calcula que sejam necessários US$ 4 milhões, verba que só seria possível adquirir por meio de financiamentos internacionais. Para resolver os problemas na entrada da cidade seria necessária a construção de um canal, projeto que consumirá Cr$ 700 milhões. Esta verba já está sendo reivindicada à Caixa Econômica Federal, através do projeto Produrb. 05/03/01 eStadão |
Chuvas podem levar a estado de atenção em Santos
Até o final da tarde de hoje, o Grupo Executivo dos Morros não descartava a possibilidade de ser decretado estado de atenção em Santos, devido às fortes chuvas que vêm castigando a região. Choveu muito nos últimos três dias e as encostas dos morros já se mostram saturadas, com riscos de deslizamentos. "Se as chuvas persistirem, entraremos na faixa de perigo", prevê a geóloga Cassandra Nunes, presidente do grupo.
As chuvas das últimas 72 horas apresentaram um índice de 134,6 milímetros de precipitação, fato que começa a preocupar os técnicos. Por enquanto, só foram registrados alagamentos e enchentes, que provocaram muitos transtornos ao tráfego, especialmente na entrada da cidade, na noite de ontem. Houve um deslizamento de terra no morro do Saboó, atingindo o quintal de uma casa. Os moradores foram aconselhados a deixar o local, já que havia risco do material de uma construção clandestina atingir a residência. Um muro de pedra também desabou no morro do Pacheco, e uma grande quantidade de lixo desceu do morrro de São Bento.
Hoje à noite, somente Ônibus e caminhões podiam transpor a avenida Martins Fontes, na entrada da cidade, onde as águas atingiram quase um metro de altura. O bairro do Gonzaga teve pontos de alagamento. A prefeita Telma de Souza (PT) atribuiu as enchentes aos fortes ventos que atingiram a região na quinta-feira. "Nada menos que 97 árvores foram derrubadas e uma quantidade assustadora de folhas acabou entupindo os bueiros, provocando os transtornos que já eram esperados", disse.
Segundo revelou a prefeita, a secretaria de Planejamento elaborou um mapeamento subterrâneo da cidade, com o objetivo de corrigir as eventuais falhas de drenagem. Só para elaboração de projetos de drenagem da zona noroeste, a secretária de Planejamento, Lenimar Rios, calcula que sejam necessários US$ 4 milhões, verba que só seria possível adquirir por meio de financiamentos internacionais. Para resolver os problemas na entrada da cidade seria necessária a construção de um canal, projeto que consumirá Cr$ 700 milhões. Esta verba já está sendo reivindicada à Caixa Econômica Federal, através do projeto Produrb.
05/03/01 ESTADÃO
Chuva alaga e causa falta de energia em SP
São Paulo - A chuva forte nesta tarde na capital paulista está alagando ruas e deixando vários bairros sem energia elétrica. Os bombeiros receberam mais de 500 chamados por causa da chuva. O córrego Pirajussara transbordou, alagando várias ruas na região do Campo Belo, zona sul da cidade. O túnel do Anhangabau foi interditado no sentido Santana-Aeroporto. A Eletropaulo registrou queda de energia em pontos isolados nos municípios de Taboão da Serra, Itapecerica da Serra e no bairro de Tamboré, em Barueri, na Grande São Paulo.
As regiões central, norte e Marginal do Tietê continuam em estado de alerta devido a possibilidade de inundação. Já as regiões sul, oeste e Marginal Pinheiros ainda estão em estado de atenção devido a possibilidade de alagamento.
Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE), há pontos de alagamento transitável na pista local da Marginal Pinheiros, na altura da Escola Politécnica, sentido Castelo Branco-Interlagos e a mil metros antes da Pontes Jaguaré. Segundo Paulo Vianna, supervisor da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a chuva forte também resultou em alagamentos na avenida Matarazzo com a avenida Pompéia e em pontos da avenida Antártica.
Na Avenida do Estado e na Cruzeiro do Sul ainda chove granizo e há pontos de alagamento por toda a extensão das avenidas o de Sul, no sentido marginal, veículos A situação também está complicada na Avenida Radial Leste e Avenida Rebouças, em função das chuvas fortes.
Ellen Fernandes e René Santini02/03/01 ESTADÃO
| Sabesp busca causa do vazamento no Guarujá A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) espera reunir ainda hoje as informações necessárias para estabelecer as causas do vazamento no emissário submarino de esgoto do Guarujá, que rompeu-se 2,5 quilômetros mar adentro nas proximidades da Ilha das Cabras. Embora ainda desconheçam as causas do acidente e a quantidade de esgoto vazado, tanto a Sabesp como a Cetesb afastam qualquer possibilidade de contaminação das águas na Praia da Enseada. Diretores das duas empresas alegam que o rompimento do emissário ocorreu em alto mar, onde a carga de poluentes tende a se dispersar e não refluir para as praias. "Na zona em que ocorreu o rompimento, os detritos se diluem facilmente", afirmou o gerente regional da Cetesb, Luizmar Seabra Pereira. "Além do mais, por sorte, o emissário não está trabalhando com sobrecarga". O engenheiro Sergio Rizzo, da Sabesp, que acompanhou a retirada e remoção do tubo de politileno, acredita que ele "deve ter sofrido um impacto muito forte para romper tal como se rompeu". Rizzo afastou também a possibilidade de contaminação das praias, afirmando que, como Guarujá tem mar aberto, os detritos se dispersarão em alto mar. Idêntica opinião foi manifestada pelo gerente regional da Cetesb, Luizmar Seabra Pereira. Foi ele quem designou os técnicos que fizeram a coleta de água na Praia da Enseada para análise laboratorial. Os resultados finais serão divulgados na próxima semana. Hoje mesmo, porém, ele terá em mãos os resultados preliminares que indicarão se houve ou não contaminação da praia por coliformes fecais. "Particularmente - afirmou - não acredito na possibilidade de contaminação da Praia da Enseada, já que o emissário rompeu-se em mar alto, onde a carga de poluentes tende a dispersar-se e não a refluir para as praias. Além do mais, ele está trabalhando atualmente com um quarto de sua capacidade, isto é, sem sobrecarga". Cauteloso, o gerente da Cetesb concluiu dizendo: "Como bactéria náo é visível a olho nú, vamos esperar os resultados da análise. Eles é que vão dizer, com segurança, se houve ou não contaminação e, em caso positivo, se ela é recente ou não". 23/02/01 ESTADÃO Waldo Claro/Zuleide de Barros |
3,5 milhões vão ficar sem água hoje em SP
Sabesp vai realizar manutenção e obras corretivas no Sistema Guarapiranga
CARLOS ARAÚJO
22/02/01 ESTADÃO
Petrobrás é multada em R$ 150 milhões
Valor foi estipulado pelo Ibama por causa de vazamento de óleo no Paraná. Empresa é reincidente, decidiram órgãos ambientais
20/02/01 ESTADÃO
Mancha de óleo no Paraná chega a 12 quilômetros
JULIO CESAR LIMA
19/02/01 ESTADÃO
Sabesp normaliza fornecimento de água
São Paulo - A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) vai normalizar, de forma escalonada, a partir de 8 horas da manhã desta sexta-feira, o abastecimento de água para 3,5 milhões de paulistanos que tiveram o fornecimento prejudicado ontem. Este é o horário estabelecido pela Sabesp para a água voltar às torneiras nos bairros de Americanópolis, Vila Mascote, Chácara Flora, Morumbi, Capão Redondo, Butantã, Vila Olímpia, Interlagos, Taboão da Serra, Jabaquara e Embu. Entre 16 horas e 20 horas desta sexta-feira, a Sabesp vai regularizar o abastecimento nos bairros de Vila Mariana, Sacomã, Pirajuçara, Jardim Arpoador e Interlagos.
Até à 0h de sábado, os bairros de Granja Viana e uma parte de Shangri-Lá terão o abastecimento de água regularizado, e a partir de 20 horas, Capela do Socorro e outro trecho de Shangri-Lá.
Vera Avedisian
23/02/01 ESTADÃO
Rodízio de água pode ser antecipado em Itu (SP)
Itu, SP - A falta de chuvas pode antecipar o rodízio no abastecimento de água, previsto inicialmente para junho, em Itu, a 98 quilômetros de São Paulo.
Há quase três semanas não chuve no município, e o nível dos reservatórios começou a baixar.
Os dias ensolarados e de alta temperatura que prevaleceram na última semana contribuíram para o aumento do consumo e a evaporação da água acumulada nas represas do Itaim, Fubaleiro e Braiaiá, principais fontes de captação.
A do Itaim apresentava o nível mais baixo, nesta quinta-feira, com 75% da sua capacidade. As outras tinham entre 80 e 90% de água.
O problema é que as represas estão assoreadas, e a lâmina de água não é profunda. A cidade, de 140 mil habitantes, teve o abastecimento racionado durante seis meses no ano passado.
Nesta quinta-feira uma rápida frente fria deixou o tempo nublado e fez cair a temperatura, mas não veio acompanhada de chuvas.
A prefeitura está realizando obras de desassoreamento na represa do Itaim, mas isso não será suficiente para evitar o rodízio. Se não ocorrerem chuvas abundantes, a distribuição de água pode passar a ser alternada já a partir de maio.
A expectativa do Serviço Autônomo de Água e Esgotos (SAAE) é que a queda da temperatura prevista para as próximas semanas faça baixar o consumo.
O SAAE continua pedindo à população que instale caixas domiciliares e evite o desperdício de água.
Fonte: Jornal Folha de São Paulo 12/04/01
200 mil pessoas podem ficar sem água em SP
São Paulo - O rompimento de uma adutora de um metro de diâmetro pode deixar até 200 mil pessoas sem água na zona sul da capital paulista. A adutora da Rua França Pinto - que transporta água para o reservatório da Vila Mariana - se rompeu hoje de manhã, perto do Cebolinha, no Ibirapuera. Segundo a Assessoria de Imprensa da Sabesp, ainda não há falta de água na região porque até o rompimento da adutora o reservatório estava cheio e as caixas d´água também.
A previsão é que até às 21 horas o bombeamento de água para a Vila Marina e região volte ao normal, mas não está descartada a possibilidade de haver falta de água. A pavimentação da Rua França Pinto, que foi danificada pelas obras, deve ser refeita até domingo.
Fonte: Jornal Estado de São Paulo 17/04/01
Falta
dágua: pouca chuva não é única culpada
Desperdício, poluição, desmatamento e gestão de rercursos hídricos voltada para
grandes obras também colaboram para a escassez
São Paulo - A criação do Dia Mundial da Água, comemorado hoje (22/3), foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas, em 1992, para mostrar que a escassez era uma ameaça aos conglomerados urbanos no mundo. O alerta, no entanto, não conseguiu evitar o agravamento do problema, como demonstra a situação de risco de racionamento de água e energia que enfrenta toda a região Sudeste, por conta do baixo nível de água em seus mananciais.
Embora as chuvas tenham ficado abaixo da média para esta época do ano, o volume de precipitação não pode ser considerado o único fator a desencadear a crise. A perda de qualidade da água, a fragilização dos ecossistemas nas regiões de mananciais, além da falta de uma gestão de recursos hídricos que contemple mais do que grande obras, são vilões tão ou mais importantes.
"O grande problema é o uso pouco racional, pois o volume de água por bacia é constante, o que tem aumentado é a população, diminuindo os metros cúbicos de água por cidadão. Assim, precisamos de cada vez mais energia elétrica e água para abastecimento e ficamos sem margem de manobra em momentos de estiagem", diz o presidente do Consórcio dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, engenheiro José Roberto Fumach.
Prefeito de Itatiba, Fumach acredita que é preciso inverter essa situação, criando novas alternativas, como tratar os esgotos e reutilizar a água em processos industriais, além de diminuir as perdas no sistema. "Essas medidas são fundamentais numa bacia como a nossa, que perde, através do Sistema Cantareira, 33 m3/s de água para a Região Metropolitana de São Paulo. Com menor volume de água, temos uma saturação de esgoto nos rios, que ficam impróprios para consumo", diz.
Outra razão apontada pelo presidente do Consórcio para a falta dágua é o mau uso do solo. O desmatamento, principalmente das matas ciliares, faz com que a água corra rapidamente para os vales e não fique retida na bacia. "Quando a chuva cai em áreas florestadas, temos maior constância de água no sistema hídrico. Além disso, o assoreamento provocado pelo desmatamento entope nascentes e diminui a capacidade de armazenamento dos mananciais, que ficam mais rasos", explica Fumach.
O mesmo problema acontece com a impermeabilização do solo nos grandes centros. "São Paulo, por exemplo, é conhecida como a metrópole das nascentes soterradas, por estar localizada sobre as cabeceiras de uma bacia hidrográfica", diz Carlos Bocuhy, coordenador da Campanha Billings, Eu Te Quero Viva. "A mesma água que deveria entrar no solo - abastecendo aqüíferos subterrâneos e garantindo água para abastecer os reservatórios da cidade no período de estiagem, corre superficialmente sobre o concreto, provocando enchentes. As inundações são, na verdade, a falta de recarga de nossos mananciais", avalia.
Na opinião de Maria Luisa Ribeiro, coordenadora do Fórum Estadual da Sociedade Civil dos Comitês de Bacia, o problema crônico de escassez de água é resultado da falta de planejamento e de políticas desintegradas. "Embora a legislação determine uma gestão participativa e por bacia dos recursos hídricos, o planejamento e os investimentos continuam sendo setoriais e privilegiando o setor energético", avalia.
Um exemplo disso, segundo Ribeiro, "é o projeto de flotação do rio Pinheiros, decidido sem que o Comitê de Bacia tenha sido consultado e tendo como objetivo principal a geração de energia". Para a coordenadora do Fórum, a atual crise prova que investir somente em grandes obras estruturais não dá resultado. "Precisamos ter mecanismos eficientes de uso racional da água, como forçar a reutilização para uso industrial e comercial e um código de postura para a construção civil, que contenha o reaproveitamento de água de chuva. Até o momento, também não tivemos campanhas que realmente mostrem para a população como utilizar a água, mesmo fora das épocas de crise. Sem uma gestão integrada, a única solução para evitar o racionamento de água é chamar São Pedro para presidir os Comitês de Bacias", diz.
Fonte: Jornal Estado de São Paulo 22/03/01
Caixa vai financiar imóveis que transformam água de chuva em potável
A Caixa Econômica Federal vai financiar a construção de prédios que utilizam uma
tecnologia de tratamento da água de chuva para ser usada no abastecimento dos
apartamentos.
A novidade é uma medida da Caixa para prevenir uma futura crise de desabastecimento de
água.
Segundo o superintendente nacional de parcerias da Caixa, Vulíos Bandeira Vargas, o banco
quer prevenir futuros problemas de racionamento com a utilização de tecnologias
alternativas.
"O tratamento da água de chuva é uma solução criativa para driblar eventuais
problemas de desabatecimento de água", disse.
Essa nova tecnologia ainda está em estudo. Mas a Caixa já se enquadrou na nova era de
crise energética e autorizou ontem a utilização da tecnologia de energia solar em
substituição à elétrica nos imóveis financiados.
A mudança significa que a partir de agora, os engenheiros da Caixa que analisam os
pedidos de financiamento de unidades habitacionais estão autorizados a aprovar propostas
que utilizam essa tecnologia.
A decisão se estende a todas as obras acompanhadas pela Caixa, inclusive aquelas que
contam com recursos do Orçamento Geral da União.
"Apesar de a instalação do equipamento solar ser cara que a convencional, essa é
uma decisão que se justifica pela necessidade do país de energia", disse o diretor
de Desenvolvimento Urbano da Caixa, Aser Cortines.
Fonte: Jornal Folha de São Paulo 13/04/01
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Racionamento de água começa nesta terça para 300 mil em SP
O racionamento de água começa nesta terça-feira para 300 mil pessoas atendidas pelo
Sistema Alto Cotia. Os municípios atingidos são Embu, Embu-Guaçu, Cotia e Itapecerica
da Serra, na Grande São Paulo.
A região atingida pelo racionamento foi dividida em três blocos pela Sabesp (Companhia
de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Os moradores ficarão 40 horas com água e
32 horas sem água.
O fornecimento será interrompido sempre às 15h do dia anterior ao indicado e normalizado
às 23h do próprio dia. A normalização do abastecimento em bairros localizados em
pontos altos e distantes dos reservatórios, deverá ser mais demorada.
O consumidor pode obter outras informações pelo telefone 195, que funciona 24 horas por
dia.
A programação da Companhia para o racionamento vai até dia 31 de maio. No entanto, o
prazo poderá ser prorrogado.
No ano passado, o racionamento começou no dia 11 de abril para a região de Cotia e no
dia 1º de junho para a capital paulista, terminando em setembro.
Situação dos reservatórios
A Sabesp ainda não definiu se a capital paulista também terá racionamento de água.
Números desta segunda-feira mostram que o nível dos reservatórios ainda é preocupante.
Veja a comparação com números registrados pela Sabesp no dia 17 de abril de 2000.
Cantareira - o sistema opera com 40,9% de sua capacidade. Há um ano, o sistema
apresentava 67,5% da capacidade.
Guarapiranga - apresenta 60% de sua capacidade. No ano passado, o sistema também operava
com 60% da capacidade.
Cotia - está com 28% da capacidade. Há um ano, o sistema operava com 37,1% da
capacidade.
Rio Grande - opera com 96,8% da capacidade. No dia 17 de abril de 2000, o sistema operava
com 85,1% de sua capacidade.
Rio Claro - está com 62,9% da capacidade. Há um ano, estava com 60,6% da capacidade.
Alto Tietê - opera com 51,1% da capacidade. No ano passado, o sistema operava com 72,8%
da capacidade.
Dicas de economia
Lavando a louça com a torneira de pia meio aberta durante 15 minutos, gastam-se 243
litros de água. Para diminuir este número, limpe os restos dos pratos e panelas com uma
escova e jogue no lixo, depois coloque água na cuba até a metade para ensaboar e feche a
torneira.
Lavadora de louças com capacidade para 44 utensílios e 40 talheres (para seis pessoas),
gasta 40 litros. Por isso, o ideal é ser utilizada somente quando estiver cheia e não
com poucos utensílios. O mesmo vale para a lavadora portátil.
Bacia sanitária com válvula com o tempo de acionamento de seis segundos gasta 10 litros
de água. Quando a válvula está defeituosa, pode chegar até 30 litros.
Se uma pessoa escova os dentes em cinco minutos com a torneira não muito aberta, gasta 12
litros de água. No entanto, se molhar a escova e fechar a torneira enquanto escova os
dentes e, ainda enxaguar a boca com um copo de água, consegue economizar mais de 11,5
litros de água.
Banho de ducha por 15 minutos, com a torneira meio aberta consome 243 litros. Se fechar o
registro enquanto se ensaboa, diminuindo o tempo de banho para cinco minutos, o consumo
cai para 81 litros.
Regar jardins e plantas durante dez minutos chega-se a gastar 186 litros de água. Para
economizar, durante o verão regue as plantas de manhãzinha ou à noite, o que reduz a
perda por evaporação. No inverno, regue o jardim dia sim, dia não, pela manhã.
Mangueira com esguicho-revólver também ajuda. Com esses cuidados pode-se chegar a uma
economia de 96 litros por dia.
Muita gente gasta até 30 minutos lavando carro. Com uma mangueira não muito aberta,
gastam-se 216 litros de água. Com a torneira aberta meia volta 560 litros. Mas se lavar o
carro apenas uma vez por mês usando um balde de dez litros para molhar e ensaboar e,
também, balde para enxaguar , pode-se chegar a um consumo de apenas 40 litros.
Gotejando, uma torneira chega a um desperdício de 46 litros por dia, 1.380 litros por
mês.
Fonte: Jornal Folha de São Paulo 17/04/01
Hidrogênio combaterá aquecimento global
A crise do petróleo na década de 70 fez com que os cientistas buscassem alternativas à gasolina, como o álcool. Outra opção eram as células ou pilhas combustíveis, movidas a hidrogênio. Esta tecnologia, praticamente abandonada antes do fim da crise, hoje volta como a mais promissora arma contra o aquecimento global. Tudo porque equipamentos e sistemas movidos a células combustíveis emitem vapor dágua no lugar de gás carbônico (CO2) - tido como o maior responsável pela elevação da temperatura.
A preocupação ambiental contribui para a expansão da tecnologia. A multinacional Shell, por exemplo, criou a Shell Hydrogen, um braço da empresa cujo principal objetivo é desenvolver fuel cells (o nome em inglês da pilha combustível). As células são capazes de gerar energia ao serem alimentadas diretamente com hidrogênio puro, liberando apenas água na atmosfera, ou usando o hidrogênio produzido a partir de hidrocarbonetos (como gasolina e o gás natural) ou alcoóis, como etanol e metanol.
O ideal seria fazer com que carros, por exemplo, fossem movidos apenas a hidrogênio, liberando unicamente água. Mas a maior parte das pesquisas hoje usa hidrocarbonetos e alcoóis (principalmente o etanol), para obter o hidrogênio usado na pilha.
- A vantagem do etanol é que a quantidade do CO2 liberado como resultado do processo é a mesma da já absorvida da atmosfera pela cana-de-açúcar, da qual se obtém o álcool, através da fotossíntese. No caso de hidrocarbonetos e alcoóis, seu uso nas células representaria uma economia de 5% a 15% na emissão dos gases, o que já cumpriria os acordos propostos pelo Protocolo de Kioto (pelo qual os países precisariam diminuir 5,2% de suas emissões de CO2) - diz o físico Ennio Peres da Silva, do recém-inaugurado Centro Nacional de Referência em Energia do Hidrogênio (Ceneh).
Em funcionamento na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, o Ceneh é o primeiro centro no Brasil a construir o protótipo de um carro movido a hidrogênio. As maiores pesquisas ocorrem nos EUA e na Alemanha, onde diversos veículos a hidrogênio já circulam.
- Hoje, nosso carro funciona com a ajuda de um motor a combustão interna, que simula o papel da célula combustível. Mas esperamos, em breve, obter ou desenvolver as células para comprovar sua viabilidade - explica da Silva.
No Rio de Janeiro, o Laboratório de Hidrogênio da Coppe focaliza suas pesquisas numa área mais básica, que consiste na produção de pilhas combustíveis e no desenvolvimento de formas de armazenamento do gás. O tipo de célula combustível mais promissor é a Membrana de Troca de Prótons (PEM, na sigla em inglês), que permitirá, no futuro, que as pilhas combustíveis levem luz, por exemplo, a áreas remotas onde o abastecimento convencional é difícil, ou caro demais.
- Acredito que as aplicações da pilha para a geração de energia elétrica de forma estacionária (em residências, escolas e comércio) aconteçam dentro de quatro ou cinco anos. Em ônibus e automóveis tudo é mais complexo, já que se exige uma rede de abastecimento, que não há em nenhum local do mundo. Além disso, a estocagem do hidrogênio não é muito simples. Por isso o uso de hidrocarbonetos e alcoóis pode ser uma boa alternativa - diz Paulo Emílio de Miranda, chefe do laboratório da Coppe.
Miranda explica que o hidrogênio pode ser armazenado na forma gasosa, (sob pressão em cilindros) ou na forma líquida. As duas maneiras não satisfazem, já que em cilindros o gás ocupa muito espaço e, na forma líquida, o gás precisa permanecer a uma temperatura de menos 253 graus. A Coppe estuda uma nova forma de guardar o gás, desfazendo sua molécula e armazenando o elemento químico dissolvido numa liga metálica sólida.
Fonte: Jornal O Globo 08/04/01
Casos de poluição e contaminação tóxicas existem desde que existe o mundo industrial. São os cuidados com seu controle e as providências para proteger as pessoas de seus efeitos nocivos que definem o grau de civilização de uma sociedade. A este respeito, pode-se afirmar que todas as circunstâncias em torno da contaminação da área próxima da fábrica de agrotóxicos da Shell, em Paulínia, refletem as marcas do subdesenvolvimento.
Fosse na Suécia, na Suíça, na Inglaterra ou no Canadá, será que uma contaminação descoberta há mais de sete anos continuaria produzindo seus efeitos na população, tendo merecido da empresa multinacional que lhe deu causa, tanto quanto das entidades públicas encarregadas do meio ambiente (ou da saúde pública), soluções no máximo paliativas - e assim mesmo tomadas com extrema morosidade, como se para ninguém houvesse qualquer pressa em resolver o problema?
Em depoimento prestado à Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Assembléia Legislativa, a vice-presidente de Assuntos Químicos da Shell para a América do Sul, Maria Lúcia Pinheiro, admitiu que desde 1993 a empresa sabia da contaminação da área de sua fábrica de agrotóxicos com organoclorados de tipo "drins" e metais pesados, substâncias altamente tóxicas. E que, apesar de informada do problema desde 1994, a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) não solicitou que fosse analisada a água dos poços das chácaras vizinhas, a 15 metros da fábrica. As primeiras dessas análises só foram feitas no ano passado. Incompreensivelmente, a Cetesb ali "não viu riscos", mesmo em se tratando de fábrica construída em área sujeita a inundações sazonais, a 150 metros do Rio Atibaia. E, como disse o secretário do Meio Ambiente de Paulínia, Henrique Padovani: "É área de preservação permanente, em terreno permeável, onde jamais deveria ter sido instalada indústria desse tipo."
Só no ano passado, por exigência dos moradores, a Shell analisou a água que eles bebiam. A partir de então, a empresa passou a fornecer água aos moradores e comprar sua produção agrícola. Quer dizer, tendo água para beber de graça, dos caminhões-pipa, e comprador certo para os produtos de sua terra contaminada, os chacareiros de Paulínia deveriam dar-se por perfeitamente satisfeitos! E vem, então, a melhor parte do depoimento da representante da Shell: "A contaminação é pequena, segundo projeções matemáticas: se os moradores não consumirem nem a água nem os produtos da terra, podem continuar lá, sem riscos." E dava detalhes dessas suas "projeções matemáticas", afiançando que o cálculo prevê que "banhos de 20 minutos" seriam inofensivos, e que "se as crianças não permanecerem mais de 6 horas diárias em contato com a terra" estariam razoavelmente seguras.
Seria cômico, se não fosse trágico.
Apesar de também ter agido com grande morosidade no caso, o Ministério Público chegou, a certa altura, a exigir mais do que "cálculos teóricos" para comprovar os índices de contaminação dos moradores. Em agosto do ano passado, solicitou que a Shell realizasse exame de sangue naquela população - tendo a empresa se comprometido a fazê-lo. Só que não cumpriu a promessa e nem sofreu conseqüências por isso, o que levou a prefeitura de Paulínia a bancar tais exames. Teria a multinacional achado dispendioso demais custear simples exames de sangue para um número não exagerado de pessoas? Ou será que não lhe interessavam os possíveis resultados?
Nas sociedades civilizadas, a saúde dos cidadãos é preservada de malefícios decorrentes de quaisquer formas de poluição ambiental quando, além das leis de proteção e controle, há instituições públicas eficientes para fazê-las cumprir. E, quando qualquer desses agentes falha em sua obrigação, fica sujeito a pagar grandes indenizações às vítimas, como o mostra o filme semidocumentário, Erin Brokovich, ora em cartaz, que deu o Oscar a Julia Roberts. Neste caso da contaminação de Paulínia, afora os sinais de múltipla negligência - da indústria, o que é concebível, e das autoridades ambientais, o que não é -, percebe-se, antes de tudo, uma falta de respeito à cidadania. Pois, apesar de, muitas vezes, por ignorância ou pelas dificuldades da vida, as pessoas se deixarem "compensar", de forma irrisória, contra riscos de danos permanentes, não se pode, numa sociedade civilizada, aceitar soluções de compromisso que firam a dignidade do homem e ameacem o seu direito à vida com saúde.
Fonte: Jornal Estado de São Paulo 16/04/01
Falta
d´água não é generalizada
Anomalia climática prejudica enchimento de reservatórios no Sudeste, mas com diferenças
muito acentuadas em cada localidade.
Campinas - A perspectiva de racionamento de energia e água, na região Sudeste, devido ao baixo nível dos reservatórios, surpreende os habitantes de algumas localidades - como São Paulo e Campinas - onde as chuvas torrenciais provocaram inundações ao longo de todo o verão. Como pode haver falta d´água se as enchentes ainda estão acontecendo?
A dúvida se justifica, quando se analisam os dados acumulados da estação chuvosa e o comportamento anômalo da Zona de Alta Pressão do Atlântico Sul Subtropical, que rege o sistema de frentes frias em todo o Sul-Sudeste do Brasil. Segundo Carlos Nobre, diretor do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe), neste verão praticamente não ocorreram chuvas associadas aos sistema de frentes frias, porque a Zona de Alta Pressão se deslocou precocemente para cima do continente, bloqueando a entrada das frentes desde o norte de Santa Catarina até o sul da Bahia.
Normalmente, a Zona de Alta Pressão permanece sobre o Oceano Atlântico durante o verão, deslocando-se lentamente na direção do continente ao longo do outono e permanecendo sobre o continente durante o inverno, razão pela qual o inverno é seco no Centro-Sul do País. "Este ano, não sabemos porque, a Zona de Alta Pressão deslocou-se antes para o continente e impediu a passagem das frentes frias, que vem acompanhadas das chuvas mais generalizadas, mais duradouras e menos torrenciais", explica Nobre. "Isso não significa que não choveu. Na verdade, ocorreram muitas chuvas de outro tipo, como as de convecção e as orográficas".
As chuvas de convecção são as chamadas chuvas de verão. Bastante localizadas, caem só embaixo de cada nuvem, em áreas que chegam, no máximo, a 15 quilômetros. São mal distribuídas e mais violentas do que as chuvas de frentes frias e normalmente estão associadas a raios, ventos e enchentes.
As chuvas orográficas ocorrem nas localidades próximas de morros e encostas, provocadas pelo acúmulo de nuvens por efeito de relevo e são melhor aproveitadas para abastecimento, quando as margens dos cursos d´água ou reservatórios têm florestas.
"Muitos dos reservatórios de hidrelétricas e alguns de abastecimento estão sofrendo com falta d´água, sobretudo porque já estavam vazios desde a seca do ano passado, quando tivemos dois meses - abril e maio - com apenas 10% da precipitação média", acrescenta o pesquisador. "Para enchê-los seriam necessárias chuvas acima da média, que não ocorreram e provavelmente não vão ocorrer nos próximos meses". A redução da capacidade de armazenamento das represas, devido ao assoreamento, ajudou a piorar a situação.
A falta d´água nos reservatórios, porém, não atinge muitas das localidades que fazem captação junto a morros e encostas, porque nestas ocorreram as chuvas orográficas, garantindo a normalidade. Também não atinge as áreas onde tenham caído muitas chuvas de verão. "E nem há falta d´água para a agricultura, porque as chuvas de verão garantiram a umidade do solo", lembra Nobre. "Pode acontecer de uma propriedade sofrer perda de produtividade e uma área literalmente vizinha ter ganho de produtividade, devido à má distribuição característica das chuvas de verão, mas não tivemos veranicos e não tivemos falta como no ano passado".
Fora da região sobre a qual está a Zona de Alta Pressão, as chuvas estão dentro das médias. As chuvas de frentes frias ocorreram normalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina e está chovendo dentro do previsto da Bahia para o norte, assim como no Centro-Oeste e Amazônia.
Fonte: Jornal Estado de São Paulo 22/03/01
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Sites ajudam a entender o problema da água
São Paulo - O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social está lançando hoje, para comemorar o Dia Mundial da Água, a Semana pelo Consumo Consciente da Água, no site Akatu.net (www.akatu.net), criado para promover o consumo responsável. O objetivo da campanha é mobilizar os internautas para fazer ações concretas no seu dia-a-dia de combate ao desperdício da água.
Entre as informações disponibilizadas estão que fechar a torneira enquanto se escova os dentes pode economizar cerca de 36 litros de água por dia. Essa economia em um ano chega a 13.140 litros. O site conta ainda com uma enquete na qual cada um pode registrar o que fez a cada dia para consumir água de forma consciente. Ao final de uma semana, os resultados da enquete serão contabilizados para mostrar o quanto o participante economizou de água.
Outro site com informações sobre água será lançado no próximo sábado (24/03), pela Fundação SOS Mata Atlântica. O site www.rededasaguas.org.br trará informações sobre a questão da água doce no mundo, as bacias hidrográficas brasileiras e do Estado de São Paulo, um histórico do sistema estadual de recursos hídricos, o que são os comitês de bacias, legislação específica, guia de denúncias e notícias do setor. "A interatividade é a característica principal do projeto. Nosso objetivo é estimular a participação dos cidadãos na gestão dos recursos hídricos", afirma Maria Luisa Ribeiro, coordenadora do projeto.
Com dados de saúde pública e voltado para o saneamento básico, o site www.esgotoevida.com.br, da entidade Água e Cidade, enfoca a situação dos recursos hídricos brasileiros e mundiais e conclama a população a exigir providências em seus municípios. Enquanto estiver consultando o site, o internauta acompanha uma tabela mostrando quantas crianças estão morrendo no mundo, naquele momento, por problemas relacionados à poluição ou à falta dágua.
Fonte: Jornal Estado de São Paulo 22/03/01
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Shell: contaminação é mistério
Depois de descobrir a contaminação com pesticidas da Shell no bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia, a 20 km de Campinas, o Ministério Público (MP) e a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) querem saber como os organoclorados de tipo drins - que são as substâncias tóxicas - conseguiram entrar no lençol freático da região.
Desde 1994, quando a própria Shell detectou a contaminação no solo, as providências para evitar a expansão do problema foram tomadas, informam o MP e a Cetesb. "Fizemos a contenção e a monitoração da área contaminada por meio de barreiras hidráulicas e tratamos o solo", afirma o coordenador do centro de apoio operacional das promotorias de Justiça do Meio Ambiente, José Carlos Meloni Sicoli.
O problema é que técnicos e cientistas não esperavam que a contaminação ultrapassasse os limites sa empresa. "Apenas o solo estava contaminado e as substâncias dificilmente atingiriam o lençol freático", diz o assessor da diretoria de controle da Cetesb, Geraldo Amaral. "A afinidade dos drins com a água é muito pequena, eles não costumam se associar e, além disto, o solo contaminado era pouco permeável." Mas, contrariando os prognósticos, os moradores começaram a perceber a alteração da água nos poços." E isto ocorreu por meio das águas subterrâneas. "Ainda não há uma explicação técnica para a contaminação do lençol", diz Amaral.
Risco para moradores
A água dos poços das chácaras vizinhas não foram analisadas em 94. Apenas no ano passado ocorreram os primeiros estudos, quando constatou-se a contaminação. "Recebemos denúncias dos moradores no fim de 1999", conta. "Eles reclamavam do odor e do gosto da água." Agora, com a contaminação comprovada, resta descobrir se a Shell foi negligente ou não poderia mesmo ter evitado a contaminação.
Já os moradores da região podem ter sido contaminados, mas o risco é pequeno, garante Amaral. "Não sabemos quanto tempo as pessoas ficaram expostas à contaminação, mas a concentração da substância na água é pouca."
A concentração também não é suficiente para contaminar o Rio Atibaia, que passa pelo bairro e abastece a região de Campinas. A professora do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp),Meire Rosa Santiago Silva explica que os drins atacam o fígado.
Fonte: Jornal da Tarde 17/04/01
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Racionamento de energia atingirá mais residências, diz ministro
O ministro José Jorge (Minas e Energia) disse há pouco que o racionamento de energia vai
atingir principalmente as residências. Isso porque, segundo ele, essa é a área onde há
'mais gorduras para cortar''.
Segundo José Jorge, a decretação do racionamento será discutida no início de maio,
quando será feita uma avaliação das medidas atualmente em vigor para reduzir o consumo.
'Se depender das chuvas, haverá racionamento, mas o plano de racionalização ainda pode
gerar algum resultado positivo'', afirmou.
O ministro está participando, em São Paulo, do 1º Fórum Brasileiro de Energia
Elétrica, promovido pela Anbid e com a presença de investidores do setor.
Fonte: Jornal