COMUNICAÇÃO: aliada ou inimiga?

COMUNICAÇÃO: ALIADA OU INIMIGA? By Sueli Bravi Conte Publicado Revista Imediata – Indaiatuba SP Na minha função dentro

COMUNICAÇÃO: ALIADA OU INIMIGA?

By Sueli Bravi Conte
Publicado Revista Imediata – Indaiatuba SP

Na minha função dentro da escola, sempre percebo que os maiores problemas que temos iniciam-se com uma fala descuidada seja por parte dos pais, dos educadores, dos alunos ou até mesmo entre a equipe de trabalho. A comunicação coerente é uma das propostas da escola, não dá para imaginar um espaço educacional onde a comunicação não flui coerentemente.
À boa comunicação deve partir da equipe gestora e docente estabelecendo uma fluência até os alunos e os pais. E para que a comunicação flua coerente há as agendas e o espaço aberto para o diálogo, evitando assim os ruídos (boatos) negativos. Somos responsáveis por nossas ações o que nos torna responsáveis pela fala que empregamos em hora errada, no lugar errado sem a orientação do profissional indicado dentro da escola para acompanhar soluções e resolver conflitos.
O fato é que quando os pais procuram a escola para conversar, precisam mais ser ouvidos. O que eles querem são respostas coerentes para suas dúvidas, suas angústias e seus anseios quanto à educação de seus filhos. O mesmo acontece quando os professores necessitam comunicar-se entre si. Nesse momento é imperativo que não haja ambivalência entre a fala e a prática.
Só a título de curiosidade, no ano passado, uma pesquisa internacional sobre comportamento humano, realizada por especialistas dentro de algumas organizações, apontou que os ruídos (boatos) são os maiores causadores de conflitos entre as equipe. Até então se achava que ruídos (boatos) eram motivos de maior conflito apenas no convívio familiar, onde a ligação emocional entre os indivíduos determinava pontos de convergência bem maiores. Em resumo, constatou-se que uma boa equipe gestora deve estar preparada para atuar na comunicação e minimizar este tipo de problema com orientações que atinjam o grupo de forma reflexiva, no sentido de fazer assimilar que quem ouve também precisa ser ouvido, e que independente dos vínculos emocionais que criamos, democraticamente, precisamos nos entender dialogando.
Dia a dia, no espaço escolar, são comuns pais que nos procuram querendo falar, mas que não estão preparados para ouvir. Este talvez seja um dos momentos mais intrínsecos da relação escola e família.
Um momento onde a comunicação coerente evitará confrontos, onde palavra pensada é palavra transmitida de forma pacífica. Não é atoa que grandes transformações mundiais foram comandadas através da comunicação direta e coerente entre seus líderes.
Na prática, professores e pais nunca devem conversar em corredores ou nos portões da escola e sem a presença de um orientador. A linguagem e os termos utilizados também devem ser verificados para se evitar mal entendidos e ofensas desnecessárias. Sem contar que muitas vezes o silêncio torna-se a melhor mensagem. Assim, a interação entre equipe pedagógica, alunos e pais parte da comunicação que evita incoerências, debates sem lógica ou valor de construção.
Cada vez mais os gestores da educação estão enxergando a comunicação com importância estratégica dentro das escolas. Percebo que estamos buscando aperfeiçoar os processos e investindo em recursos para melhorá-la. As informações que circulam dentro da escola devem ser comunicadas de forma a serem compreendidas por todos, não gerando dúvidas nem posteriores ruídos (boatos). O comunicador deve saber com exatidão tudo o que ocorre dentro do espaço educacional, no que diz respeito às funções, para passar adiante a informação para toda equipe e pais de forma adequada e completa. E a comunicação funcional, deve ser articulada de maneira positiva, não desmerecendo o conhecimento do grupo, mas fortalecendo seus valores e estabelecendo vínculos com a filosofia, metas e objetivos da escola.
O fato é que não se deve agir com leviandade. A comunicação dentro da escola deve estar sempre voltada à motivação, união do grupo e a construção de vínculos de confiança com a família. Mesmo porque, comunicar-se é a melhor maneira de nos aproximar ou nos afastar, também pode deixar de ser uma arte para poucos e assumir um papel mais acolhedor dentro de cada universo desde que saibamos interpretar e conduzir bem as palavras.
Falar é essencial, mas falar sem coerência, objetivos e sem comunicar é pura perda de tempo e desgaste de energia. Antes de falar pense; antes de pensar escute; forme uma opinião depois de ouvir os vários lados e só a expresse quando tiver a certeza que ela será utilizada de forma a acolher, construir e harmonizar. Do contrário, prefira o sábio e pacificador silêncio.

Sueli Bravi Conte
Mestre em Educação, Psicóloga,
Psicopedagoga, Professora, Autora e
Doutoranda em NeuroCiência