É preciso mais atenção com a geração virtual

É PRECISO MAIS ATENÇÃO COM A GERAÇÃO VIRTUAL By Sueli Bravi Conte Publicado Revista Imediata – Indaiatuba SP

É PRECISO MAIS ATENÇÃO COM A GERAÇÃO VIRTUAL

By Sueli Bravi Conte
Publicado Revista Imediata – Indaiatuba SP

O mundo evolui em informação, as notícias se multiplicam, verdadeiras ou falsas, a internet e as redes sociais contribuem e muito para o desvio de foco de um aluno, principalmente quando esse aluno tem entre 09 e 17 anos. A deficiência de comunicação com os pais potencializa o desvio e acaba por gerar perigos ocultos na interação manipulada pelos adultos. Parte daí o encontro com o comportamento sensualizado exacerbado e a pedofilia. Estamos diante de um fato: meninas e meninos estão se adiantando na sexualidade. Onde a escola entra nessa situação?

Na maioria das vezes os pais desconhecem os conteúdos frequentados por seus filhos, com quem eles trocam informações ou conversam on-line. A negligência e a tecnologia consumista aumenta a ameaça e estimula crianças e jovens a se exporem mais do que deveriam. A verdade é que é preciso mais atenção com essa geração virtual.

A ‘onda’ agora entre os jovens é sensualizar. Todo o dia se assiste meninas seminuas dançando vulgarmente em vídeos disseminados por elas mesmas, as amigas ou por seus pseudos namorados na internet. Os conflitos se agravam quando esses vídeos chegam à escola e são compartilhados pelos alunos. A confusão está armada! Situação criada fora dos portões das instituições, mas que acabam nas salas de reuniões das escolas.

Qual é o compromisso da escola com o comportamento dos alunos na internet? Pedagógico! O fato é que a sedução das imagens deve ser uma alavanca ao nosso favor, nunca contra. Usar filmes, propagandas, caricaturas, desenhos, mapas: tudo deve servir ao único e grande objetivo: ajudar o aluno a ler o mundo, não apenas a ler letras. O compromisso da escola é transmitir conteúdos inerentes às aulas, despertando interesse para pesquisa, fazendo ampliarem-se os horizontes e o conhecimento educacional. Já os pais, são eles os convocados a agir com atitude e impedir os exageros.

Enquanto professores, num mundo imerso no visual e dominado por sons e cores, nós devemos estar atentos ao uso de imagens, música, sensorialidades variadas, sendo essa uma exigência da modernidade e uma forma clara de estar mais próximo dos alunos. Mas ainda assim, é fundamental trabalhar todas as áreas, elaborar temas transversais e, ao mesmo tempo, libertar o aluno da ideia didática das gavetas de conhecimento. Não apenas áreas afins (como História e Geografia), mas também Literatura e Educação Física, Matemática e Artes, Química e Filosofia. É preciso restaurar o sentido original de conhecimento, que nasceu único e foi sendo fragmentado até perder a noção de todo. É certo que o futuro acadêmico é muito mais prático do que nós temos sido até hoje, nós profissionais da área temos o dever de acompanhar essas mudanças, porém, com didática, metodologia e cautela.

Quando o uso da internet foge a este contexto já não é mais responsabilidade da escola e sim dos pais. Afinal, a educação que ensina a privacidade do corpo e o respeito à moral e os bons costumes deve vir do berço. Caso, esses responsáveis não se sintam capazes de controlar as ações virtuais de seus filhos, talvez esteja na hora de pedir ajuda profissional.

Sim! Como dizem os filósofos atuais, o mundo está permeado pela televisão, pelo computador, pelos jornais, pelas revistas, pelas músicas de sucesso e mal gosto. Contudo, a escola e a sala de aula precisam dialogar com este mundo. Seria hipocrisia não reconhecer que, em geral, os alunos não gostam do espaço da sala de aula porque em sua maioria há muito de artificial nele, de deslocado, fora do seu interesse. Considera-se aí que, usar o mundo da comunicação contemporânea não significa repetir o mundo da comunicação contemporânea; mas estabelecer um gancho com a percepção do aluno, e, nesse ponto, a escola vem se esforçando e criando mecanismos para que essa relação de conhecimento se fortaleça.

 

Sueli Bravi Conte
Mestre em Educação, Psicóloga,
Psicopedagoga, Professora, Autora e
Doutoranda em NeuroCiência