NEGLIGÊNCIA FAMILIAR: O PERIGO QUE NOS RONDA

By Sueli Bravi Conte
Publicado Revista Imediata – Indaiatuba SP

Famílias perdidas e mal orientadas tentando educar os filhos com filosofias vãs de liberdade sem medida. Acalentado pelo sonho que vê na TV e na internet, o jovem busca cada vez mais e fora dos portões de casa, a liberdade que pensa lhe dará asas para voar. Estes casos dos acasos nos obrigam a ver situações trágicas como as vividas pela jovem estuprada no morro do Rio, episódio marcado pela falta de estrutura familiar e convivência com pessoas, que pensava, pudessem trazer-lhe prestígio e fama, mas que apenas marcaram sua história de maneira perversa e cruel. Quantas vidas de jovens e adolescentes ainda se perderão para entendermos o papel que desempenhamos na Educação de nossos filhos, e o real papel da escola e das famílias frente a tantas interferências negativas?

A frente da direção do Colégio Renovação, sempre estive preocupada com as questões socioculturais que envolvem nossas famílias. Muitas vezes, me deparo com a resistência dos pais quando penso informá-los de que seus filhos estão trilhando caminhos pouco recomendados, que a maturação precoce não é um benefício, e que pode trazer consequências e marcar negativamente seus destinos. Já ouvi frases de pais como: “Ela é muito independente e sabe o que faz”. Ou então: “Deixo que ele mesmo escolha seus caminhos e alerto-o de que sofrerá com as consequências de escolhas erradas”. Mas se vamos deixar os jovens a mercê de sua própria sorte, então qual o papel que desempenhamos? Devemos apenas observar que nossos filhos escolham com liberdade sem tentar pelo menos apontar alternativas mais corretas e que possam fazer a diferença na idade adulta?

Tenho acompanhado os depoimentos dos pais sobre a violência e refletido como a falta de estrutura familiar marca a família para sempre. Percebo que muitas histórias de violência parecidas circulam por nossa sociedade atual, vieram embargadas pela doce lembrança da libertação dos padrões, das convenções e pelas ideologias de liberdade a qualquer preço, ditadas nas décadas de 60 e 70. Questiono-me: quais foram às conquistas que deixaram claro que a família não representava mais a instituição importante na educação e no caminho de nossas crianças e adolescentes? Em que momento a revolução dos costumes ditou normas e comportamentos responsáveis por esta geração de pais totalmente sem rumo, diante de filhos sem limites e regras, que pensam que são livres a ponto de terem direitos a qualquer custo, que colocam sua integridade física e moral a prova perdendo-se em suas próprias conquistas?

As drogas, a bebida, o sexo, o medo, a depressão, as noites mal dormidas… Tudo faz com que paremos para refletir sobre que tipo de sociedade nós queremos construir. E não podemos deixar de citar que estamos à mercê de jovens violentos e cada vez mais ditadores, envolvidos e perdidos no mundo do crime e do imediatismo. Na busca incessante por caminhos que lhe pareçam mais seguros, parece que ouço seus gritos… Sua vontade de que façamos algo com urgência, que ditemos regras e limites aos caminhos tortuosos que cruzam com a certeza de que não há volta.

Não podemos esperar mais! Devemos promover uma nova revolução, a do amor aos filhos, do apego aos valores e à conduta correta. E nosso dever criar humanos responsáveis, dignos de si e dos outros, retomar o respeito aos pais, aos mais velhos, aos que são diferentes e a sociedade em geral. Nesse contexto, a Escola é um espaço aberto onde se privilegia diversas relações humanas, onde se formam personalidades e onde auxiliamos na formação do caráter, mas tenho certeza de que não podemos agir sem a participação efetiva da família.

Então, que a volta ao seio familiar seja um comportamento bem vindo e aceito por toda a sociedade. Pagamos um preço alto pelos nossos próprios erros. Que possamos enfim reconhecer que é possível viver em paz e, ainda assim, conquistar nossos sonhos. Nossos jovens devem sonhar, mas que este sonho seja construído em caminhos seguros, e que a paz seja recebida de braços abertos como uma salvação das famílias perdidas entre educação, liberdade e valores distorcidos.

 

Sueli Bravi Conte
Mestre em Educação, Psicóloga,
Psicopedagoga, Professora, Autora e
Doutoranda em NeuroCiência