O GRANDE ELO CHAMADO PROFESSOR

By Sueli Bravi Conte
Publicado Revista Imediata – Indaiatuba SP

Vivemos um período muito difícil na história da Educação brasileira. A má qualidade das universidades de pedagogia, a desvalorização dos profissionais e a falta de reconhecimento da sociedade como um todo, fazem com que cada vez mais jovens abandonem a ideia de se tornarem professor, o que além de contribuir para a falência de nossas instituições, ameaça também a formação de outros profissionais já que o professor é o elemento fundamental para ensinar e transmitir conhecimento em sala de aula.

Com o avanço da tecnologia, as ferramentas de informação e as redes sociais, o mundo mudou muito e a democracia da informação tem levado as pessoas a questionarem mais. No que diz respeito aos pais e a escola, eles passaram a questionar a Educação e consequentemente desmerecerem o professor. Hoje, os pais pensam saber muito mais do que a equipe acadêmica. Assim, receitas prontas na internet acabam por supervalorizar opiniões fazendo com que os pais supervalorizem os filhos em detrimento do professor e com isso promovam a falta de respeito dentro da escola. Mas a intervenção exagerada das famílias nas instituições é apenas um dos problemas enfrentados hoje pelos profissionais da pedagogia.

Há alguns anos, tem-se esforçado em aproximar as famílias do núcleo escolar. À princípio, a ideia era fazer com que elas acompanhassem de perto o desenvolvimento dos filhos e participassem da sua formação. Porém, talvez mal interpretada e mal utilizada, a proposta passou a ser uma questão imperiosa, cheia de exigências descabidas e obrigando o professor a levar não apenas livros e conteúdos, mas toda uma bagagem emocional e social para sala de aula, no sentido de socorrer crianças e adolescentes e auxiliá-los a se reconhecer como capazes de criar e construir o próprio futuro.

Juntando técnica e acolhimento, apesar do esforço em se treinar, aperfeiçoar, preparar e formar constantemente professores para enfrentar novas dinâmicas que facilitem a aprendizagem, diante da grande necessidade das famílias parece pouco. Isso porque, em sua maioria, pais e responsáveis estão cada vez mais confusos diante de seus próprios papéis. Existe um entendimento avesso à realidade de que, por falta de tempo para participar do processo, eles devem transferir toda a responsabilidade de educar para escola. Esquecem-se de que a criança ou jovem é da escola por um período, uma estação, mas pertencerá à família para sempre.

Portanto, fica claro que não é desmerecendo o professor que estes pais contribuem para formar seus próprios filhos.

As críticas sempre são bem vindas, porém devem ser para construir e não para desmoralizar. As conversas que atravessam paredes pelas redes do Whatsaap, por exemplo, são grandes colaboradoras da falta de sintonia entre pais e professores. Devemos entender que o diálogo é a base que sustenta todas as relações e, portanto, as pessoas devem falar umas com as outras e não uma das outras.

Não podemos aceitar mais que a sociedade deixe de reconhecer os professores como peças fundamentais e insubstituíveis no processo de ensinar. Esclarecer que na hora de escolher uma escola para os filhos, os pais devem ter a confiança de que a instituição está com os melhores profissionais e que a formação constante deles faz parte de suas metas e objetivos.

No mês das crianças e dos professores, eu convido a todos para uma reflexão. Ao longo dos anos, os empresários conseguiram levar muita tecnologia para a escola, mas nenhuma delas ainda substitui a figura presente do educador. É bom lembrar que enquanto houver um coração pulsando e uma mente pensando as máquinas não substituirão os homens. Somos professores com muito orgulho, com paixão e dedicação, necessitamos do respeito da sociedade, das outras instituições, do governo. Só assim será possível construir uma Educação mais sólida e baseada na fraternidade e na igualdade entre os brasileiros.

A Educação não necessita apenas de orçamento para se tornar capacitada a receber crianças e adolescentes, proporcionando-lhes o melhor para que se tornem cidadãos capazes de interferir socialmente. E necessário ter metas, objetivos, planejamento, pessoas capazes e que atuem entre a razão e a emoção, porque a escola é feita de gente e essa gente deve pensar e atuar, usar da criatividade e dos talentos individuais.

Juntar famílias com diversos valores e culturas é papel da Escola. Assim como é papel do professor ser o grande elo. Mas é necessário apoio para montar o quebra-cabeça, apoiar um centro de onde possam emergir mentes criativas e atuantes. Nada é mais importante do que a vontade de fazer a diferença, mas quem deseja ser diferente tem de ter ousadia e enfrentar o desafio de fazer o que ninguém fez.

Unir a todos em torno de um mesmo objetivo: EDUCAR PARA FORMAR CIDADÃOS… Esse é o real sentido da ESCOLA.

 

Sueli Bravi Conte
Mestre em Educação, Psicóloga,
Psicopedagoga, Professora, Autora e
Doutoranda em NeuroCiência