tornando=se adulto em casa e na escola

Tornando-se adulto em casa e dentro da escola

TORNANDO-SE ADULTO EM CASA E DENTRO DA ESCOLA By Sueli Bravi Conte/ junho 4, 2018 Publicado Revista Imediata

tornando=se adulto em casa e na escola

TORNANDO-SE ADULTO EM CASA E DENTRO DA ESCOLA

By Sueli Bravi Conte/ junho 4, 2018
Publicado Revista Imediata – Indaiatuba SP

Ao escolher uma escola para o filho é fundamental que os pais se sintam seguros com sua escolha e dispensem espaço para a atuação da equipe, demonstrando respeito pelo sistema escolar e pelos professores.

Nessa jornada acadêmica que se cumprirá por muito tempo na vida de cada aluno, os pais têm o papel de estimular os filhos a obedecerem às regras da instituição, mesmo quando discordam delas, pois assim, parte-se do princípio que estarão se preparando para conviver em sociedade.

Diante de qualquer descontentamento com as regras ou a equipe escolar, o ideal é que estreitem seus laços com a escola e procurem o diálogo, porque a entrada da criança numa instituição de ensino é uma nova etapa em sua vida, e se os pais persistem em intervir nessa etapa em que o filho aprende a encará-la por conta própria, com certeza todos estarão perdendo.

Ao longo do tempo, a necessidade de desenvolvimento e acompanhamento dos educandos trouxe também uma necessidade de aproximação da família com a escola. Juntos, aluno, escola e família passaram a descobrir uma nova forma de ensinar e aprender. Porém é preciso que os pais saibam reconhecer as competências que são da esfera da escola, ou seja, o elementar: os professores têm a técnica, a pedagogia e a didática as quais devem ser respeitadas, onde também é instaurada a fronteira entre aquilo que é de responsabilidade dos pais e aquilo que compete à escola.

Em algumas décadas, o que era uma escola tradicionalmente fechada sobre si mesma, quase de forma autista, transitou para o extremo da liberdade, o que culminou com as imposições de alguns pais em matérias para as quais, na maioria das vezes, não estão devidamente preparados científica ou pedagogicamente.

O exemplo claro disso: se em casa quem manda é o “pequeno ditador” – ele só come se a mãe fizer da colher um avião e o pai fizer graça para que ele engula sem pensar. É ele quem detém o controle da TV. É também quem escolhe na gôndola do supermercado. Quem grita e quem bate o pé, quem responde e esbraveja. Na escola ele terá de mudar. Mesmo porque, o que ele está aprendendo é que não tem deveres, só direitos… Então, quando chega à escola o “pequeno ditador” trata os professores com o mesmo desrespeito e insolência com que trata os pais.

Aqueles que não respeitam as regras e são chamados à atenção costumam responder com arrogância, altivez e ameaça: “_ Mas eu não fiz nada!”; “_ Você só pega no meu pé!”; “_ O que é que eu fiz cara?”; “_ Eu vou falar pro meu pai, você vai ver!”. Assim, se este tipo de aluno é reprimido por algum comportamento descabido, ele não suporta a frustração de não ser prontamente atendido como é pelos pais e reclama em casa sobre a escola e a equipe. Os pais, (naturalmente culpados pela distância diária) numa atitude super protetora e desconhecendo a realidade da sala de aula, levam a queixa à direção da escola, já “armados até os dentes”. Está declarada a guerra! Tudo por conta de um filho/aluno muitas vezes manipulador.

Mas há casos também de mães e pais de filhos comportados e estudiosos que exageram na marcação. São aquelas mães cuja criança não pode chupar uma bala, mascar um chiclete mesmo que a sala inteira esteja fazendo bolas. As que não podem aprender determinadas músicas, dançar ou representar, as que não podem estar presentes em festas tradicionais como Páscoa, Dia das Bruxas, Natal… Como se o mundo dela estivesse restrito a uma redoma e ela não tivesse de se sociabilizar com outros alunos/amigos… Esses, com limites excessivos, em especial, são os que mais sofrem, porque se colocam fora do núcleo da convivência humana, atraindo problemas para si.

Escola é antes de tudo um ambiente social, onde as pessoas desde cedo aprendem a compartilhar experiência, isso significa experimentar, escolher, saber ser crítico e ao mesmo tempo respeitar… É um espaço de trocas, de afetividade, de fazer amigos para sempre… A escola é o teste para vida, é onde entre iguais há de reconhecerem-se diferentes a testar o certo e o errado, observando, interagindo e desenvolvendo o pensamento crítico individual.

Queira ou não, na escola os nossos filhos devem estar por si, e se os pais confiam no trabalho de uma equipe, devem estar certos de que dentro da escola seus filhos estarão cercados de segurança para testar e aprender. Mesmo porque, fora dela haverá uma selva e eles deverão estar preparados para escolher ser o mocinho ou o bandido. Pensem nisso!

Sueli Bravi Conte
Mestre em Educação, Psicóloga,
Psicopedagoga, Professora, Autora e
Doutoranda em NeuroCiência